2015 em clima de incerteza

Publicado em 06/04/2015 às 11h41

A agropecuária brasileira e o setor de Serviços foram os únicos setores da economia que registraram alta no Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmento rural registrou um leve crescimento de 0,4%. Mesmo positivo, o incremento foi consideravelmente inferior se comparado a 2013, quando a taxa de aumento do PIB do setor chegou a 7,9%.

Em receita, o PIB do setor agropecuário em 2014 alcançou R$ 262,3 bilhões no País. Pedro Loyola, economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), explica que a economia cresceu muito pouco em 2014, período em que houve uma elevação no valor dos impostos, energia, combustíveis, mão de obra e também na taxa de juros dos financiamentos direcionados ao campo. "Além disso, tivemos problemas de quebra de safra na soja e a expansão da crise no setor de cana-de-açúcar." Tudo isso, segundo o economista, colaborou para um desempenho inferior do PIB agropecuário em relação a 2013.

No Paraná ainda não há uma estimativa do PIB do agronegócio no ano passado, mas o cenário econômico das atividades agropecuárias em 2014 também foi de apreensão, avalia Loyola. O especialista explica que os preços das commodities caíram e o custo de produção aumentou muito. Ele observa que a "salvação da lavoura", a partir do final do ano, foi o aumento do dólar, que elevou a remuneração do setor por meio das exportações. Esse cenário também pode colaborar para um melhor desempenho do agronegócio este ano. A moeda tem registrado altas significativas nos últimos meses e ultrapassou a casa dos R$ 3. De acordo com o Banco Central, a cotação da moeda para venda começou esta semana a R$ 3,2601.

No geral, a alta da moeda norte-americana pode trazer mais competitividade para o agronegócio em itens comercializados no exterior, analisa Francisco José Gouveia de Castro, diretor do Departamento de Estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Soja, milho, aves e açúcar são alguns dos produtos que podem se beneficiar com o preço elevado da moeda estrangeira. Por outro lado, os custos de produção, com o dólar em alta, podem ficar mais salgados, já que alguns insumos usados na atividade são importados. "Isso acaba reduzindo a margem de lucro do produtor", pondera Castro.

Exportações


Apesar da expectativa em relação ao dólar para melhorar a receita de exportação, no acumulado do primeiro bimestre deste ano, em comparação com 2014, poucos produtos tiveram resultado positivo na balança do agronegócio. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a receita do País com a exportação de soja, por exemplo, caiu 72,8%, para US$ 381 milhões. A de carne bovina diminuiu 31,9%, para US$ 654 milhões, carne suína -27,1%, para US$ 122 milhões, carne de frango -9,6%, para US$ 851 milhões e farelo de soja -7,5%, para US$ 708 milhões. Já as vendas de trigo em grão cresceram de US$ 6 milhões para US$ 217 milhões, de algodão bruto 93,2%, para US$ 165 milhões, café em grão 48,3%, para US$ 1,0 bilhão, fumo em folhas 23,8%, para US$ 279 milhões e milho em grão 1,9%, para US$ 800 milhões.

Especialistas dizem que a partir de março é que as vendas para o exterior de alguns produtos, como a soja, podem sentir mais positivamente o efeito do dólar. Contudo, um recente relatório do Mdic sobre as exportações de março apontou uma queda na receita de alguns produtos do setor agropecuário. O faturamento da soja em grão, por exemplo, registrou no mês passado uma receita de US$ 2,2 milhões, contra US$ 3,1 milhões em março de 2014. Mas em farelo de soja, o saldo segue positivo. No mês passado foram exportados US$ 545,2 milhões, contra US$ 362,6 milhões contabilizados em março de 2014.

Paraná


Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), informa que em 2014, o Paraná exportou no complexo soja (óleo, farelo e grão), no ano passado, 10,53 milhões de toneladas, contra 11,34 milhões de toneladas embarcadas em 2013. Em receita, o complexo arrecadou em 2014 US$ 5,48 bilhões, ante US$ 6,15 bilhões contabilizados no ano anterior.

Os embarques de milho também registraram baixas. Em 2014, o volume enviado foi de 3,06 milhões de toneladas, contra 3,84 milhões de toneladas contabilizadas no ano anterior. Em receita, foi arrecadado no mesmo período US$ 0,57 bilhões, ante US$ 0,92 bilhões em 2013.

Um dos únicos segmentos que registraram elevação tanto em receita, quanto em volume de exportação, foi o complexo carnes (aves, suínos e bovinos). No ano passado, a receita desse setor chegou a US$ 2,75 bilhões, ante US$ 2,53 bilhões arrecadados em 2013. Em volume, foram embarcadas em 2014 1,42 milhão de toneladas, contra 1,27 milhão embarcado no ano anterior. Nos dois primeiros meses deste ano, o complexo soja embarcou 0,63 milhão de toneladas e arrecadou US$ 0,3 bilhão. No complexo carnes o setor enviou ao exterior, no mesmo período, 0,22 milhão de toneladas e arrecadou US$ 0,38 bilhão. No milho, o volume foi de 0,47 milhão de toneladas e a receita fechou em US$ 0,09 bilhão. Vale lembrar que o Deral não faz comparação com o mesmo período do ano passado, só ano fechado. Marcelo Garrido, economista do Deral, afirma que a influência da alta do dólar sobre as exportações já acontecem desde o início de março.

 

Fonte: Folhaweb

Categoria: Agronegócio, Cenário Macroeconômico, Comércio Exterior, Norte do Paraná, Paraná
Tags: Agronegócio, Comércio Exterior, Competitividade, Paraná

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