Abit projeta alta apesar de temor com importados

Publicado em 03/04/2018 às 10h57

A previsão de crescimento no mercado da indústria têxtil e de vestuário está estimada em 4% para 2018 ante 2017, mas o setor voltou a conviver com o temor de perder espaço para as importações. Segundo a Abit, (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o avanço deve significar a circulação de 350 milhões de peças a mais neste ano e ao menos metade desse volume deve vir de fora do País.

Depois da disparada do dólar no Brasil em 2016, o real voltou a se valorizar, ainda que menos, o que trouxe de volta o fantasma dos importados. Naquele ano, houve redução de 43% no número de peças que vieram de fora ao mercado brasileiro, o que ajudou a dar certo fôlego a um setor castigado pela competição, principalmente, com produtos chineses. 

Já houve nova alta nas importações de 28% em 2017 e, somente no primeiro bimestre de 2018, a alta foi de 43% em relação ao mesmo período do ano passado. O presidente da Abit, Fernando Pimentel, afirma que esse percentual deve diminuir ao longo do ano, porque a base de comparação é com um período de compras do exterior ainda fraco. "Supomos que esse número gravite entre 15 e 20% (até o fim do ano). Estamos falando de trazer para o Brasil de 180 a 200 milhões de peças importadas, em um mercado que poderá crescer em até 360 milhões de peças." 

Mesmo assim, diz que se trata de uma ameaça que paira no ar. "Se o aumento continuar nesse patamar (43%), significaria que seria todo o crescimento do mercado seria de importados", conta Pimentel. 

O mercado é importante no Paraná, quarto estado em produção com 8% do total do País. São cerca de 110 mil empregos diretos e mais 350 mil indiretos, conforme a Abit. O setor é intensivo em uso de mão de obra, mas nem por isso conseguiu contratar mais no período de substituição de importados. 

Pimentel afirma que, depois de fechar 30 mil postos de trabalho em 2016, foram reabertos somente 3 mil no ano passado, mesmo com 5% de crescimento. Para 2018, a expectativa é de criar até mais 20 mil vagas, ainda abaixo do fechamento de 2015. 

O presidente do Sivepar (Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário do Paraná), Alexandre Graciano de Oliveira, afirma que não dá para comemorar qualquer resultado e que as empresas estão sobrevivendo. "Com o dólar atual, ainda entra muita coisa, mas é menos. Mas existem grandes redes que não têm uma peça de fabricação nacional." 

Graciano aposta no segundo semestre e considera que o fato de as demissões terem parado não significa que há contratações. "O problema é que o mercado nacional não está comprador, nem são as importações que atrapalham." 

Para a gerente de marketing Marília Diogo, da empresa Cara de Criança, em Londrina, o começo do ano não foi tão promissor quanto pintado nas previsões do setor. No entanto, diz que trabalha em um mercado mais segmentado e que sente menos dificuldades em relação aos que competem com grandes marcas ou lojas, "que trazem tudo de fora". "Achamos que vai melhorar, porque trabalhamos com pijamas e moda praia infantil, que é algo que vende bem no segundo semestre." 

IRREGULARIDADES 


Apesar da ameaça dos importados, o presidente da Abit diz que a maior preocupação não é com o mercado regular, mas com o ilegal. Não são apenas as falsificações, mas produtos que entram sem registro pelas fronteiras que dificultam mais a vida do empresário. 

Por outro lado, ele considera que acordos comerciais como os negociados com União Europeia, Colômbia, Canadá, Japão e Coreia do Sul podem estimular o mercado brasileiro. Porém, não crê em nova disparada do câmbio. "Temos de nos diferenciar na produtividade, só que não basta falar na indústria 4.0. Temos de ter um governo 4.0, que não atrapalhe", diz, ao cobrar desburocratização, capacitação profissional e menor carga tributária.

 

Fonte: Folha de Londrina

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