Agronegócio puxa redução da desigualdade no Paraná

Publicado em 06/07/2015 às 14h14

O Paraná é o segundo estado com menor desigualdade de renda no Brasil, de acordo com ranking de 2013 elaborado a partir do índice de Gini, que mede a distribuição de renda entre a população. O Estado também é o único, entre os primeiros colocados, que subiu de posição em relação a 2012, passando do quarto para o segundo lugar. Santa Catarina, o campeão da igualdade, manteve-se estável nos dois anos avaliados.

As políticas sociais implementadas no País na última década – e que provocaram redução da desigualdade em todo o território nacional – são um dos fatores que explicam o desempenho do Paraná. Especialistas ouvidos pela FOLHA concordam, entretanto, que os bons resultados do agronegócio também influenciaram o ranking. Diante de um modelo agrícola baseado em pequenas e médias propriedades organizadas pelo cooperativismo, a conclusão é que o bom preço das commodities acabou beneficiando maior volume de pessoas, ao contrário de estados com economia baseada na agricultura praticada em grandes propriedades.

O índice de Gini considera como menos desiguais aqueles que possuem nota mais próxima de zero. O índice do Paraná, em 2013, foi 0,469, enquanto Santa Catarina, o primeiro colocado, ficou com 0,435. O Paraná também foi o único estado, entre os quatro melhores no ranking, a subir de posição de 2012 – quando foi avaliado com 0,483 – para 2013. Santa Catarina, no mesmo ano, ficou praticamente estável, com 0,424.

O ranking foi elaborado de acordo com dados da Pesquisa Anual por Amostra de Domicílio (PNAD), que detectou também que, nos três estados da região Sul, o índice de pessoas que trabalham na agricultura para si próprios - seja como proprietários, em terras da família ou arrendatários – é de 79%, acima da média nacional de 70%. Nos estados do Centro-Oeste, caracterizados pela concentração de terras nas mãos de poucos, apenas 47,5% das pessoas que trabalham no setor agrícola o fazem para si próprios.

Julio Suzuki, diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), afirma que o resultado obtido pelo Paraná em 2013 decorre também da maior inserção das pessoas no mercado de trabalho. Naquele ano, a taxa de desemprego no Estado era de 4,5%, contra a média nacional de 7,1%. "Os programas de distribuição de renda também influenciaram a redução da desigualdade, mas o principal fator é econômico. O agronegócio paranaense gerou muitos empregos no interior do Estado", considera. Outros setores que se destacaram, segundo ele, foram o de serviços e construção civil.

O desempenho no passado está inclusive influenciando a situação econômica atual. Enquanto a taxa de desemprego brasileira ficou em 8% no primeiro trimestre de 2015, no Estado foi de 5,3%. "Mas é possível, infelizmente, que o índice de desigualdade possa piorar quando saírem os resultados de 2015, diante da retração do mercado. Os mais prejudicados devem ser os menos escolarizados", analisa.

 

Brasil


O pesquisador Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), lembra que o Brasil, na última década, teve uma queda de quase 8 pontos no índice de Gini, o que indica melhoria da desigualdade em todo o País. Em 2013, o Brasil estava com a nota 0,495. "Os países mais igualitários do mundo ficam em torno de 0,20. O Paraná tem uma avaliação parecida com a dos Estados Unidos, que é um dos países mais desiguais entre os desenvolvidos. Ainda há muito o que melhorar", opina, lembrando que uma meta razoável, para o Brasil, seria chegar a 0,30. "Ainda há muito a ser feito", afirma.

Sergei destaca que a redução da desigualdade de renda na última década foi causada por aumento do salário mínimo – que minimizou a desigualdade da previdência social -, a instituição da Bolsa Família, o mercado de trabalho aquecido, o maior acesso à educação e a tendência demográfica favorável, com famílias menores e o mesmo número de pessoas trabalhando. "Os dois primeiros fatores já não contribuem para reduzir a desigualdade, pois os valores estão congelados. O mesmo vale para o mercado de trabalho, que não deve voltar a aquecer até a economia brasileira se recuperar. Por isso, a tendência é que o ritmo de redução da desigualdade diminua", acredita, destacando que o inaceitável é que os índices voltem a aumentar.

Ele concorda, porém, que os estados do Sul possam estar se beneficiando da agricultura familiar consolidada em relação à construção de sociedades mais igualitárias. "São estados onde há pequenas e médias propriedades, com agricultores capitalizados e uma classe média agrícola", considera.

Para evitar retrocesso, o conselho é investir em educação de qualidade, na manutenção dos programas de distribuição de renda e que o apoio ao agronegócio seja concentrado no modelo familiar. "O sistema cooperativo, por exemplo, garante acesso dos pequenos produtores ao mercado das commodities", exemplifica.

 

 

Fonte: Folhaweb

Categoria: Agronegócio, Investimento, Paraná
Tags: Agronegócio, Desenvolvimento Regional, Emprego, Paraná

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