Arranjos Produtivos Locais geram 79,8 mil empregos no Paraná

Publicado em 19/08/2015 às 14h42

Os Arranjos Produtivos Locais (APLs), que começaram a surgir há cerca de uma década no Paraná, já envolvem setores diversos, como de confecções, madeira e móveis, software, alumínio e equipamentos agrícolas. São 23 APLs, que, juntos, geram 79,8 mil empregos no Estado, a maior parte no interior.

Os dados são de um levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) com base nos números mais recentes da Rais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

"Os APLs já se firmaram na paisagem econômica do Estado como um eficaz mecanismo de fortalecimento das cadeias produtivas", diz o governador Beto Richa. "Um detalhe fundamental na construção desses arranjos é que eles partem de um ambiente socioeconômico preexistente, ou seja: seguem a lógica da vocação de uma região, do know-how de seus empresários e das qualificações de seus trabalhadores. Mas a intervenção do Estado muitas vezes é fundamental para que seu potencial seja devidamente explorado.”

O maior empregador é o APL de confecções de Cianorte e Maringá, responsável pela geração de 12,9 mil vagas. Em segundo lugar vem o de móveis de Arapongas, com 12,6 mil empregos. Em terceiro está o de software, de Curitiba, com 9,1 mil empregos, e, em quarto lugar, o de Bonés, de Apucarana, com 6 mil empregos.

“Os APLs são um instrumento importante de geração de desenvolvimento, emprego e renda”, diz Sônia Maria dos Santos, assessora técnica da Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral e coordenadora da Rede Paranaense de Apoio aos Arranjos Produtivos Locais (Rede APL Paraná). Formada pelo Governo do Estado, Fiep, Sebrae e BRDE, a Rede ajuda a capacitar, promover inovação e a desenvolver lideranças nos arranjos.

Colaboração

Por definição, os APLs são aglomerações de empresas de uma mesma atividade produtiva que se destacam pela colaboração mútua, que pode ser desde a compra conjunta de insumos até uma estratégia em comum para exportações ou para capacitação técnica.

Juntas, empresas de uma mesma região negociam melhores preços para as matérias-primas, custeiam treinamentos e consultorias, e criam forças-tarefa para melhorar a qualidade ou reduzir impacto ambientais. Na prática, os APLs ajudam a abrir novos mercados, reduzir custos e ampliar a competitividade das empresas.

Potencial

“O Paraná é um Estado no qual o conceito de APL deu certo. É uma forma de descentralizar a industrialização com grande potencial de geração de emprego no Interior” diz Francisco José Gouveia de Castro, diretor do centro de estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes).

Um levantamento realizado pelo Ipardes identificou 126 aglomerações produtivas com potencial para se transformar em APLs no Paraná. As aglomerações são consideradas núcleos de atividades produtivas, mas que ainda não funcionam com cooperação entre as empresas.

Móveis de Arapongas e vestuário do Sudoeste ampliam exportações

Em Arapongas, as indústrias de móveis conseguiram ampliar exportações nos últimos anos graças a uma iniciativa conjunta para trazer importadores para visitar as fábricas da região. Todo ano, de 15 a 20 compradores potenciais vão até a cidade para conhecer os móveis da região. Em uma década, as exportações passaram de US$ 42 milhões, em 2004, para US$ 101 milhões no ano passado.

As 213 empresas vinculadas ao polo são responsáveis hoje por 10% das exportações brasileiras de móveis. Os armários, racks, sofás e mesas que saem das fábricas de Arapongas têm como destino países da América Latina e da África, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústria de Móveis de Arapongas (Sima), Nelson Poliseli.

“Quando a economia vai bem, os APLs ampliam os ganhos da empresas. Quando vai mal, como é o caso do atual cenário de desaceleração, eles servem como uma espécie de proteção, minimizam o impacto sobre os negócios, porque os empresários não estão sozinhos, há uma cooperação mútua. Todo mundo sai ganhando”, afirma o gerente de fomento e desenvolvimento da Fiep, Marcelo Percicotti da Silva.

Vestuário masculino

Foi o que fizeram as fabricantes de vestuário masculino do Sudoeste, que viram na união de forças uma forma de fazer frente à concorrência chinesa. Desde 2009, as mais de 400 empresas do APL compartilham uma central de negócios. Os pedidos de insumos e matérias-primas são feitos por meio da intranet diretamente para o fornecedor. Com a iniciativa, as fabricantes conseguiram uma redução de até 15% nos custos.

A central também funciona como uma Bolsa de Mercadorias, pela qual as empresas vendem materiais e equipamentos usados. “Conseguimos vender até uma fábrica por meio da central”, diz Solange Stein, gestora do APL no Sindicato das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar).

A central também ajuda a promover a venda de peças de vestuário para o governo. O APL produz cerca 18 milhões de peças por ano e emprega cerca de 5 mil pessoas em cidades como Ampére, Chopinzinho, Francisco Beltrão, Pato Branco e Verê. 

Fonte: AEN

Categoria: Investimento, Paraná

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