CNI lança Agenda Internacional da Indústria

Publicado em 13/09/2016 às 17h45

A maior presença do Brasil em mercados internacionais pode ser uma das saídas mais eficientes para a crise atual. Essa é a mensagem central da Agenda Internacional da Indústria 2016, lançada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em junho, em evento que marcou as duas décadas da criação da Coalizão Empresarial Brasileira, que coordena a participação do setor privado nas negociações de acordos de comércio internacionais.

“O comércio exterior deve fazer parte de uma agenda estratégica e permanente para o aumento da competitividade do país. Se essa atividade já é importante para estimular o crescimento em períodos de normalidade da economia, ela se torna ainda maior em tempos de restrições no mercado interno, como o que estamos vivendo atualmente”, defende o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

A Agenda Internacional da Indústria 2016 foi entregue durante evento realizado na sede da CNI ao ministro de Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, e ao secretário-geral do Itamaraty, Marcos Galvão (leia reportagem). O documento, que será produzido com periodicidade anual, é resultado de consenso entre as diversas entidades que fazem parte da CNI.

“Construímos a Agenda Internacional com as federações das indústrias, associações setoriais e empresas exportadoras. Assim conseguimos reunir as prioridades de atuação da CNI na promoção da inserção internacional das empresas brasileiras. A Agenda considera dois eixos de atuação: o da influência sobre políticas comerciais e o de serviços de apoio à internacionalização das empresas”, explica Robson Braga de Andrade.

Além da celebração de acordos comerciais e da adoção de uma política destinada a favorecer investimentos brasileiros no exterior, a Agenda sugere medidas no campo da tributação, remoção de barreiras comerciais, desburocratização do comércio exterior, promoção de negócios e uma política de atração de investimentos externos.

Segundo nota oficial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o governo “está firmemente engajado no avanço dasnegociações em curso entre o Mercosul e a União Europeia, no aprofundamento do ACE 53 (Brasil-México), na ampliação dos Acordos do Mercosul com Índia e a União Aduaneira da África Austral (SACU, na sigla em inglês), bem como no lançamento de novas iniciativas negociadoras com Canadá e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, também na sigla em inglês)”.

Já foram assinados Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFIs) com Angola, Moçambique, Malaui, Chile, México, Colômbia e Peru. Com este último, foi assinado um Acordo de Ampliação Econômico-Comercial que, além de investimentos, abrange as áreas de serviços e compras governamentais.

O ministro Marcos Pereira explica que, apesar das mudanças de organização administrativa implementadas pelo governo do presidente interino Michel Temer, “as negociações dos acordos continuam sendo feitas pelo MDIC, em conjunto como Ministério das Relações Exteriores”.

O economista Ivan Oliveira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), observa que “os acordos comerciais devem ser parte central da estratégia comercial do Brasil, com prioridades a negociações em curso com a União Europeia e com o México”.

Para ele, “o papel da inteligência comercial, com levantamento de barreiras comerciais, e os investimentos brasileiros em mercados estratégicos, como China, Estados Unidos e União Europeia, também ganham com a atuação da CNI”.

 

Braexit pode ser oportunidade

 

A palavra oportunidade foi a mais ouvida como reação à decisão britânica de deixar a União Europeia. Se a relação bilateral de brasileiros e britânicos já foi a mais importante ao longo do século 19, o que incluía Londres como a principal praça de financiamento da atividade econômica no Brasil, há muito tempo não é mais assim. Quase um terço das exportações brasileiras para o Reino Unido nos cinco primeiros meses deste ano, por exemplo, são de ouro em barras. O segundo e o terceiro lugar também são produtos primários (soja e minério de ferro). Só isso já evidencia que, na eventualidade de uma negociação de acordo comercial, há um grande espaço para o crescimento das exportações de outros produtos.

O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Matias Spektor, observa que “as perspectivas de comércio novo entre o Brasil e o Reino Unido existem, em boa medida, pela atitude relativamente aberta de Londres para tratar de questões agrícolas”, em oposição ao protecionismo que caracteriza a atuação da União Europeia. Em encontro com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o embaixador do Reino Unido, Alexander Ellis, lembrou que Brasil e Reino Unido têm ampla agenda de interesses nas áreas de infraestrutura e investimentos, além do comércio.

Fonte: CNI

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