CNI prevê queda de 1,2% no PIB e recuo de 3,4% na indústria

Publicado em 15/04/2015 às 14h02
O quadro econômico em desaceleração levou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a rever a previsão de desempenho da economia em 2015. O relatório trimestral Informe Conjuntural, divulgado nesta terça-feira (14), prevê redução de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e de 3,4% no PIB da indústria em 2015. A retração setorial será puxada pelas quedas de 4,4% na indústria de transformação, 5,5% na construção civil e 2,8% nos Serviços Industriais de Utilidade Pública, que inclui a produção e distribuição de energia elétrica e a captação, tratamento e distribuição de água, entre outros.
 
A queda do PIB industrial aliada ao recuo de 0,6% no consumo das famílias contribuirá para uma retração de 0,4% no setor de serviços, cuja última queda ocorreu há mais de 20 anos. A agropecuária será o único segmento a registrar alta no ano, de apenas 0,5%. O fraco desempenho da economia fez com que a CNI revisse a taxa média de desemprego para 6,7%.
 
De acordo com a CNI, embora necessário, o ajuste econômico que começa a ser implementado pelo governo vai agravar o quadro no curto prazo em função da redução do gasto público, aumento de tributação, aperto monetário e reajuste de tarifas como a de energia elétrica e dos combustíveis. “A demora em iniciar o ajuste tornou seu custo muito maior”, destaca o Informe Conjuntural. Conforme o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a retomada do crescimento requer esforço além dos ajustes macroeconômicos e da consolidação fiscal. “Precisamos de uma agenda positiva para promover a competitividade, que servirá como um mapa de retorno ao crescimento”, afirma.
 
Além disso, aponta o documento, o enfraquecimento da coalizão governamental no Congresso Nacional dificulta a aprovação das medidas estruturantes necessárias para a construção de um ambiente econômico melhor. O Informe Conjuntural sinaliza que o superávit primário do setor público será de R$ 66,3 bilhões, que representará 1,13% do PIB de 2015, suficiente para cumprir a meta estipulada pelo Governo.
 
O documento assinala ainda que o ambiente de incertezas e questões relacionadas às investigações de corrupção, que afetam a Petrobras e outras grandes empresas, inibirão o investimento em 2015. Outro fator que contribuirá para o recuo dos investimentos – cuja queda deve ser de 6,2% no ano – é o aumento da taxa básica de juros, que deve chegar a 13,5% no fim do ano, segundo estimativa da CNI.
 
EVOLUÇÃO DOS PREÇOS – O ajuste nos preços administrados – aumento do custo da energia elétrica e do transporte público e a elevação do PIS/Cofins sobre os preços de gasolina e óleo diesel – somado à desvalorização significativa do real frente ao dólar, foram fatores determinantes na condução da inflação para níveis acima do limite superior da meta (6,5%) nos três primeiros meses do ano. Conforme estimativa da CNI, a evolução dos preços deverá se manter acima do teto da meta ao longo do ano e deve atingir 8,1%, em dezembro.
 
O início do ano também é marcado por forte volatilidade cambial. Embora a valorização do dólar esteja ocorrendo em todo o mundo, por causa do crescimento da economia americana e expectativas de aumento da taxa de juros desse país, o real foi a moeda com maior depreciação sobre o dólar. A estimativa é que a taxa média de câmbio no ano seja de R$ 3,10. “A volatilidade do câmbio não deverá ter impacto imediato nas exportações, já que essas decisões são de longo prazo. No entanto, deverá haver recuo nas importações ainda este ano”, destaca Castelo Branco.
 
No setor externo, a CNI reestimou de US$ 219,5 bilhões para US$ 208 bilhões a perspectiva das exportações e de US$ 212 bilhões para US$ 207 bilhões. Com as novas previsões, a estimativa de saldo comercial para 2015 foi revista de US$ 7,5 bilhões, em dezembro, para US$ 1 bilhão.
 
Fonte: CNI
Categoria: Cenário Macroeconômico, Comércio Exterior
Tags: Brasil, Indústria, macroeconomia

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