Commodities impulsionam alta de preços de exportação

Publicado em 03/11/2016 às 16h21

O aumento das cotações de produtos básicos sustentou ganho expressivo dos termos de troca do Brasil com o exterior no terceiro trimestre. De julho a setembro, a relação entre os preços de exportação e de importação avançou 4,4% em relação aos três meses anteriores, segundo dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). De abril até o mês passado, a expansão supera 12%.

A alta ocorre desde o segundo trimestre deste ano e, na prática, indica que, com a mesma quantidade exportada, o país consegue importar mais bens. A relação entre preços de exportação e importação ainda tem desempenho negativo no acumulado de janeiro a setembro, com recuo de 1,2%, mas pode fechar 2016 no azul, segundo economistas.

Um ano positivo para os termos de troca não ocorre desde 2011. Do início de 2004 até o fim de 2011, período em que o país foi beneficiado pelo aumento da demanda da China por commodities, os termos de troca deram salto de quase 30%. Nos últimos quatro anos, houve uma queda expressiva: a retração foi de 27% em relação ao pico de 129,1 pontos alcançado em setembro de 2011. Apenas em 2015, a queda da razão entre os preços de exportação e importação foi de 11% sobre 2014.

Entre agosto e setembro, os termos de troca ficaram 0,5% maiores, após ganho de 1,4% no mês anterior. O maior aumento deste ano foi atingido em maio, quando a relação entre preços de compras e vendas externas deu salto de 10,1% ­ maior expansão na comparação mensal em 30 anos. Essa variação poderia ser considerada pontual à primeira vista, diz a economista Andrea Bastos Damico, do Bradesco, mas os termos de troca se mantiveram em nível elevado nos meses seguintes e continuam em ascensão, trajetória que Andrea relaciona ao comportamento positivo das commodities.

De julho a setembro, as cotações de produtos básicos foram destaque positivo entre as mercadorias exportadas pelo Brasil, ao avançarem 6,4% sobre o trimestre anterior, mesma variação da média dos preços de exportação.

Segundo a Funcex, as maiores influências de alta no período vieram dos setores de petróleo e gás natural, produtos alimentícios ­ em que carnes e açúcar respondem por 60% das vendas externas ­, agricultura e pecuária e minerais não metálicos.

Nos cálculos de Fabio Silveira, sócio­ diretor da Macrosector Consultores, as commodities agrícolas subiram 6% entre e o segundo e o terceiro trimestres, puxadas por açúcar e café. Essas duas matérias­ primas estão em alta devido à redução dos estoques, provocada por quedas da produção em outros países, observa Silveira.

Esse movimento beneficiou os termos de troca do Brasil com o exterior, mas, na avaliação dele, não há muito espaço para continuar nos próximos meses. Como o aumento recente das commodities é concentrado em poucos itens, Andrea pondera que efeitos positivos dos termos de troca sobre a atividade tendem a ser mais limitados, mas não são desprezíveis.

A alta mais forte dos preços de exportação em relação aos de importados eleva o saldo da balança comercial e dá fundamentos para a valorização cambial observada este ano, afirma ela. "Esse movimento não é só especulativo."

No cenário do Bradesco, a taxa de câmbio deve se depreciar pouco entre o fim de 2016 e o de 2017, passando de R$ 3,20 para R$ 3,30, perspectiva reforçada pela evolução recente dos termos de troca, que devem terminar o ano com ligeiro aumento ante 2015, segundo projeções do banco.

André Mitidieri, economista da Funcex, concorda que os termos de troca podem encerrar 2016 em nível superior, com ajuda também dos preços de importação, que caíram 9,5% de janeiro a setembro. Além da recessão doméstica, que reduz o consumo e, consequentemente, as compras do exterior, o cenário de fraco crescimento da economia global também contribui para conter a alta dos preços de bens importados, afirma Mitidieri.

A partir de 2017, os preços de importação podem voltar ao campo positivo, mas isso não deve diminuir os termos de troca do Brasil, porque o comércio internacional ainda será modesto, avalia.

O setor externo é um dos poucos aspectos favoráveis para a economia brasileira no momento, diz Silveira, da Macrosector, mas não é possível esperar grande impulso dos termos de troca daqui para frente, porque não há fatores estruturais que sustentem a trajetória de aumento das commodities.

Andrea, do Bradesco, estima que os termos de troca devem recuar de 2% a 3% em 2017, puxados para baixo por queda do minério e do aço e por alta do petróleo, que afeta mais preços de importação do que de exportação no Brasil.

Esse resultado, no entanto, não representa uma reversão forte, diz, dado que, em nível, os termos de troca devem sair dos atuais 104 pontos para 101 pontos ­ ainda bastante acima do patamar de 96 pontos observado em janeiro deste ano. "Os ganhos nas relações de troca conquistados recentemente serão razoavelmente mantidos", diz a economista.

 

Fonte: Valor Econômico

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