Contra Aedes, fábrica investe em roupa para bebê com citronela

Publicado em 26/01/2016 às 17h02

Há seis meses, uma indústria de Londrina, no interior do Paraná, decidiu investir em nanotecnologia: inseriu microcápsulas de citronela, um repelente natural de insetos, no tecido utilizado na sua linha de roupas, luvas, gorros e sapatos para bebês.

Deu certo. Os pedidos de pais, mães e gestantes assustados com a epidemia de zika, dengue e chigunkunya, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, têm extrapolado a capacidade de produção da empresa, de 20 mil unidades por mês.

Hoje, existe até fila de espera, e a linha de produção foi ajustada para priorizar as peças com repelente.

A indústria abastece 2.500 pontos de vendas em todos os Estados do Brasil, dos quais 16 são lojas próprias.

"Depois do crescimento dos casos de zika, os pedidos aumentaram consideravelmente, sobretudo na região Nordeste, que responde por 15% do total de vendas", diz Fábio Guerra Pereira, diretor comercial da GBaby. Da linha com repelente, 30% das vendas são para o Nordeste.

Pereira conta que uma empresa de Santa Catarina detém a patente de produção das microcápsulas com óleo essencial de citronela. A parceira produz e aplica o óleo no tecido e o envia ao Paraná para a confecção das roupas.

"O tecido passa por um banho num líquido com as microcápsulas, que são 80 vezes menores que um fio de cabelo, para a impregnação por meio de um fixador", afirma.

A empresa diz que o repelente é eficaz por 30 a 50 lavagens e possui laudos que atestam a durabilidade.

As peças com citronela são mais caras que as equivalentes sem proteção. Em uma loja da GBaby em um shopping de Londrina, por exemplo, um kit com luvas, gorro e sapatinho com o repelente custa R$ 43,10. O mesmo kit sem a proteção sai por R$ 34,30.

O aroma cítrico da roupa é suave e não chega a incomodar. Agora, a GBaby planeja lançar uma linha para gestantes. Ao todo, a indústria paranaense produz 150 mil peças por mês e gera 250 empregos diretos –não foram contratados funcionários nos últimos meses. Outras linhas tiveram queda nas vendas, devido à crise econômica.

 

Mais testes

Para a professora de cosmetologia do curso de farmácia da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Audrey Garcia Lonni essas roupas espantam mesmo o mosquito, mas são necessários mais testes para saber por quantas lavagens elas funcionam.

"Considero alto o número de até 50 lavagens propagado pelo fabricante", diz, acrescentando que receitas caseiras com repelentes à base de citronela não funcionam. "Para extrair o óleo essencial existe um processo de hidrodestilação, com equipamentos específicos."

"É importante também usar repelente sobre a roupa, uma vez que o mosquito consegue picar mesmo por cima de tecidos", afirma a dermatologista Heloisa Hofmeister.

A pediatra Cristiane Carvalho Lopes diz que bebês de até seis meses não devem usar repelente, devido à pele muito sensível, mas que a roupa com citronela é permitida porque o produto está impregnado nas fibras do tecido e não tem contato com a pele.

 

Fonte: Folha de S.Paulo

 

Categoria: Indústria, Investimento, Norte do Paraná, Paraná

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