Cooperativismo se destaca em ranking das maiores empresas do PR

Publicado em 04/12/2017 às 14h15
Roberto Custódio - A cooperativa Integrada, maior empresa de Londrina, investiu R$ 40 milhões em adequação de estrutura e inaugurou uma nova fábrica de ração
A cooperativa Integrada, maior empresa de Londrina, investiu R$ 40 milhões em adequação de estrutura e inaugurou uma nova fábrica de ração



Das 30 empresas paranaenses mais bem colocadas no ranking 500 Maiores do Sul, da Revista Amanhã e da PWC Brasil, 11 são cooperativas. Coamo, de Campo Mourão, é a que aparece primeiro no ranking, na 10ª posição geral. A Integrada – empresa londrinense mais bem colocada no ranking geral, na 48ª posição – também está entre as 30 maiores do Paraná. As demais cooperativas listadas são C. Vale (Palotina), Cooperativa Agroindustrial Lar (Medianeira), Cocamar (Maringá), Copacol (Cafelândia), Cooperativa Agrária Agroindustrial – Cereais Central (Guarapuava), Castrolanda (Castro), Frísia (Carambeí), Frimesa (Medianeira) e Coopavel (Cascavel). 

Em 2016, as 221 cooperativas do Sistema Ocepar faturaram mais de R$ 70 bilhões, valor que veio crescendo ao longo dos anos. Nos últimos cinco anos, elas compuseram 56% do PIB Agropecuário do Paraná. A estimativa para 2017 será divulgada no próximo dia 8 de dezembro. 

Robson Mafioletti, superintendente da Ocepar, exalta a força do cooperativismo, que leva as empresas a crescerem e a se tornarem longevas e resistentes às intempéries da economia. Do total de cooperativas que compõem o Sistema Ocepar, 15 faturam acima de R$ 1 bilhão, sendo que 14 são do setor agropecuário, e uma do setor de saúde. "Algumas têm mais de 90 anos", destaca Mafioletti. Para ele, o fato de o cooperativismo ser um modelo de gestão democrática em que as cooperativas são controladas por muitos "donos", faz com que as decisões tomadas por elas sejam mais bem pensadas. "As decisões no dia a dia podem ser um pouco mais lentas, mas são muito bem pensadas e discutidas no âmbito da sociedade." 

"O sistema do cooperativismo é bem estruturado, bem organizado e vem trabalhando com planejamento desde a década de 1970", comenta ainda Pedro Gonçalves, diretor da Partner Consulting, parceira da Ocepar no PRC-100 (Plano Paraná Cooperativo). Segundo Gonçalves, nem todas as empresas fazem planejamento, e são poucas aquelas que efetivamente o implantam, controlam, monitoram e revisam. As cooperativas, no entanto, têm se mostrado diferentes, compara o diretor. "As cooperativas têm adotado o planejamento e o desenvolvimento das pessoas." 

PLANEJAMENTO 


"Hoje a maioria das cooperativas têm planejamento estratégico para longo prazo, e acredito que seja a confiança dos produtores cooperados, cada vez mais fidelizados, que levam a esse resultado (do ranking)", opina o diretor-presidente da Integrada, Jorge Hashimoto. Para ele, o modelo do cooperativismo também contribui para o crescimento das cooperativas e dos cooperados. "Os cooperados reconhecem que pertencem a uma cooperativa e que a cooperativa é deles. O relacionamento não termina na hora que se comprou ou que se vendeu. Eles continuam participando da cooperativa. Resultados, sobras e todo o investimento feito não é de um dono, é de todos os cooperados. O cooperativismo visa atender pessoas, a família participa. E isso tem atraído interessados." 

Para 2020, a cooperativa planeja chegar aos R$ 4 bilhões de faturamento com 4% de resultados através do aumento de escala, da redução das despesas e da melhora do processo de industrialização dos produtos das cooperadas. "Estamos expandindo a área de atuação e partindo bastante para a industrialização para agregar valor aos produtos primários. De dois anos para cá estamos atuando no Estado de São Paulo", reforçou Hashimoto. No ano passado, a Integrada investiu cerca de R$ 40 milhões em adequação de estrutura, como no aumento da capacidade de armazenamento para receber a produção, e inaugurou uma nova fábrica de ração. 

A Integrada é a empresa londrinense mais bem colocada no ranking 500 Maiores do Sul, na 48ª posição. No ano passado, teve faturamento de R$ 2,7 bilhões, e conta com 9,2 mil cooperados, que receberam R$ 23 milhões de sobras no ano passado. Com produções recordes nas últimas safras, a Integrada é responsável por 1% de toda a produção brasileira, destacou o diretor-presidente. 

Para 2017, a expectativa é manter o faturamento. "Tivemos um crescimento bastante expressivo nos últimos cinco anos. Esse ano tivemos uma safra boa, recordes de produção, mas em relação ao faturamento, vamos manter. Esse mercado é uma questão de momento. Caiu muito o preço das commodities, e os insumos também caíram de preço, atreladas ao dólar." Hashimoto, no entanto, tem convicção de que ano que vem a cooperativa irá recuperar o crescimento e que em 2020 chegará ao objetivo de R$ 4 bilhões de faturamento. 



Coamo tem o maior faturamento 


Com 28 mil cooperados e o maior faturamento dentre as cooperativas do ranking 500 Maiores do Sul – foram R$ 10,6 bilhões em 2016 - , a Coamo registrou esse ano recorde de produção, de 128,6 milhões de sacas, contra os 107 milhões do ano passado. "O faturamento pode ser um pouco prejudicado por causa dos preços", observou o diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Galassini. A expectativa é que o faturamento em 2017 fique estável. "A Coamo é a maior em faturamento, em número de cooperados e está bem capitalizada. Os índices de liquidez estão indo muito bem", observa Galassini. Em 5 de dezembro, a cooperativa fará a antecipação de sobras de R$ 94,5 milhões aos cooperados.

Há dois anos, a Coamo aprovou investimentos de R$ 1 bilhão, feitos em quatro entrepostos (um no Paraná e três no Mato Grosso do Sul) e em duas indústrias – uma de esmagamento de soja com capacidade para 3.000 toneladas, e outra de refino de óleo de soja com capacidade para 720 toneladas em Dourados (MS). "Esse ano devemos fazer uma nova assembleia e vamos ter novos entrepostos, e talvez uma fábrica de ração." Segundo Galassini, a fábrica já está aprovada em assembleia, falta definir o local. "Se for em Mato Grosso do Sul será após o primeiro trimestre de 2019, mas se for aqui, pode ser antes. Mas com certeza vai sair porque estamos com um bom volume de ração feito por terceiros."


Caminho pavimentado para o crescimento 


Em 2020, a Ocepar espera atingir os R$ 100 bilhões de faturamento. Para isso, 100 lideranças cooperativistas paranaenses se reuniram há dois anos em comitês para definir o encaminhamento a demandas de cinco pilares estratégicos: financeiro, mercado, cooperação, infraestrutura e governança e gestão. Com base em discussões com a participação de cerca de 1.200 pessoas, surgiram 13 projetos que irão criar as bases para a meta definida para 2020. "O cooperativismo está indo bem, mas se queremos algo mais não podemos continuar fazendo as mesmas coisas", explicou Mafioletti, sobre a proposta dos projetos, reunidos no PRC-100. "Não queremos apenas alcançar a meta de faturamento, mas que as cooperativas cheguem lá de forma sustentável e que tenham longevidade." Para a realização desses projetos, a Ocepar está investindo cerca de R$ 2 milhões. 

Um dos projetos cujos resultados já foram entregues é uma pesquisa, realizada em conjunto com o Datacenso, que mostra a imagem e o posicionamento das cooperativas diante dos consumidores paranaenses. Segundo a pesquisa, a maior parte da população paranaense (96%) aprova marcas, produtos ou serviços oferecidos por cooperativas. Sete dos 13 projetos do PRC-100 já foram entregues, mas continuam dentro da pauta. Em 2018, novos projetos serão propostos no plano. 

CAUTELA 


"Nos últimos 15 anos, o sistema de cooperativismo dobrou de tamanho a cada cinco anos", notou Gonçalves. Se nada fosse feito, as cooperativas ainda iriam dobrar de tamanho de 2015 a 2020, afirmou o diretor. O PRC-100, no entanto, tem o objetivo de "pavimentar o caminho do crescimento". "Não adianta crescer se não tiver saúde financeira, infraestrutura, pessoas capacitadas e treinadas." De acordo com Gonçalves, em 2017, as cooperativas estão crescendo dentro de um cenário realista. 

"O cuidado que se tem que tomar é que está indo tudo bem com as cooperativas, mas elas ainda estão suscetíveis a crises, como qualquer outra empresa", salienta Gonçalves. Para ele, um grande obstáculo, especialmente para o agronegócio, está na infraestrutura, que impacta nos custos e na rentabilidade das cooperativas. Elas também precisam investir mais na industrialização, no posicionamento de marca e em buscar formas de agregar mais valor aos seus produtos.

 

Fonte: Folha de Londrina

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