Desafio além do campo

Publicado em 29/10/2018 às 11h05

Terceiro maior produtor de grãos do mundo, atrás de China e Estados Unidos, o Brasil deve assumir a primeira colocação na próxima década, com aumento de produtividade e de área plantada. A previsão é que o volume passe dos 300 milhões de toneladas (t) ao ano até 2023, conforme a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Onde armazenar tudo isso no pós-colheita é que é o problema. 

Anderson Coelho
Anderson Coelho - Só para a safra 2018/19 o País necessita de silos e armazéns que comportem um volume equivalente a 120% da produção de grãos, ou 270 milhões de toneladas
Só para a safra 2018/19 o País necessita de silos e armazéns que comportem um volume equivalente a 120% da produção de grãos, ou 270 milhões de toneladas

 

O deficit de capacidade estática em silos beira os 50% nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, segundo a professora e pesquisadora da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso) Solenir Ruffato. Somente no estado onde atua, ela afirma que há 40 milhões de t "desalojadas". 

A maior participação de cooperativas na região Sul, que têm maior capacidade de investimento em infraestrutura, a defasagem nacional cai para 27%. Mesmo assim, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que os três estados precisariam de uma capacidade estática 13% maior para atender a própria produção. 

Esse dado não chega a ser exatamente preciso, diz o presidente da Abrapós (Associação Brasileira de Pós-Colheita), Marcelo Alvares de Oliveira. "A Conab aponta que temos como armazenar 162 milhões de t hoje, mas uma porcentagem grande disso é de armazéns muito velhos, construídos nas décadas de 1970 e 1980, que não têm condições mínimas para garantir a segurança alimentar dos grãos", explica. Ele cita falta de aeração e termometria como comuns nessas estruturas mais antigas. 

Independentemente das condições, Oliveira considera que o País necessita de silos e armazéns que comportem um volume equivalente a 120% da produção de grãos, ou 270 milhões de t para a safra 2018/19. Por isso, defende que o pós-colheita passe a receber mais atenção de todos os elos da cadeia agrícola, do agricultor ao exportador. 

Por isso, a entidade trouxe o debate para Londrina entre terça (16) e quinta-feira (18) da semana que se encerra, com a 7ª Conferência Brasileira de Pós-colheita e o 10º Simpósio Paranaense de Pós-Colheita de Grãos. O evento, organizado pela Integrada Cooperativa Agroindustrial em parceria com a Abrapós, é o maior evento do segmento no Brasil e reuniu cerca de 700 profissionais da área, em um debate sobre "O valor do pós-colheita de grãos no Brasil". 

Investimentos em armazenagem na fazenda, uso de silos-bolsa, novas tecnologias de armazenagem e pesquisas que apresentam ganhos em segurança alimentar dos grãos e também em receita para os agricultores. "Há 20 anos a armazenagem durava pouco tempo e nossa produção era menor. O grão ficava 'de passagem' pelo silo, por um ou dois meses, e tinha destinação para a indústria ou para exportação. Hoje em dia, com um volume bem maior, chega o milho chega a ficar por um ano dentro do armazém", afirma o presidente da Abrapós. 

Pode parecer que essa preocupação seja somente de quem recebe os grãos, mas não é bem assim. No caso de associados a cooperativas, muitas das quais com verticalização da produção até a indústria, um melhor manejo em silos significa mais receita no fim do ano. E, mesmo para o produtor, é possível lucrar mais. "Primeiro, porque ele não precisa vender o produto de imediato e pode esperar épocas com cotações melhores", diz a professora da UFMT. "Mas, para a qualidade do grão, é muito mais vantajoso armazenar perto da lavoura, porque evita levar o produto úmido para a cidade, gastando mais combustível, tempo, deixando o produto sofrer. E ainda vão descontar do seu peso a água [umidade] que você levou de graça. É insensatez", completa Ruffato.

 

Fonte: Folha de Londrina

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