É preciso investir em ciências exatas

Publicado em 30/03/2015 às 11h50

Se quiser se industrializar, Londrina terá de investir mais na formação de mão de obra em ciências exatas, principalmente em engenharias. Esta foi uma das principais conclusões da terceira edição do EncontrosFolha, promovido pelo Grupo Folha de Comunicação, na última quarta-feira, no Hotel Blue Tree. O tema do evento foi "Qualificação de mão de obra como fator de desenvolvimento regional".

O encontro contou com palestra do psicólogo e professor da Fundação Dom Cabral, Sigmar Malvezzi, e com um painel do qual participaram o reitor da UniFil, Eleazar Ferreira; o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki; e o vice-presidente da Agência Terra Roxa de Desenvolvimento, Fernando Kireeff.

"Quando a gente vai conversar com empresários interessados em investir em Londrina, a primeira pergunta que eles fazem é: ‘quantos engenheiros vocês formam?’", contou o representante da Terra Roxa. Em sua apresentação, Fernando Kireeff mostrou números comparando o porcentual de estudantes de exatas da Universidade de São Paulo (USP) com o da Universidade Estadual de Londrina (UEL). São 34% lá e 18% aqui.

"Na UEL, são apenas 70 vagas na engenharia civil e 40, na elétrica. Estamos investindo pouco nesta área e as empresas quando pensam em investir num local percebem essa questão", afirmou. Ele disse que esta situação ficou muito clara quando a agência tentou trazer a fábrica taiwanesa Foxconn para Londrina. "Eles nos disseram que tínhamos poucos engenheiros."

O painelista ressaltou que é preciso mudar este cenário. "Fomos muito bem sucedidos nos investimentos nas áreas biológicas e humanas. Claramente a gente deveria estabelecer o século 21 como o das exatas."

Com parte de suas atividades empresariais ligadas à área de telecomunicação, Kireeff disse que a sociedade "não tem ideia" da revolução tecnológica que ainda está por vir. E citou o fenômeno da internet das coisas, pelo qual os objetos também estão se conectando à rede mundial de computadores. "Precisamos de profissionais voltados para isso."

Descendente de nipônicos, o presidente do Ipardes, Júlio Suzuki, fez uma comparação entre a mão de obra do Japão e a do Brasil. "Lá, a relação do número de engenheiros versus o número de administradores é o contrário do Brasil. No Japão tem muito mais engenheiros que administradores", disse. Suzuki apresentou dados sobre o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que mostram que a deficiência em ciências exatas não é exclusividade de Londrina. "Na disciplina de leitura, os estudantes brasileiros ficaram em 55º lugar no Pisa de 2012. Já em matemática, caem para 58º lugar", ressaltou.

Industrialização

Durante o EncontrosFolha, os painelistas se referiram a um dilema: Londrina não se industrializa porque não tem mão de obra qualificada ou não tem mão de obra qualificada porque não tem indústrias? Fernando Kireeff fez um breve histórico sobre os ciclos econômicos do Município para concluir que acredita mais na primeira hipótese.

"Tivemos dois grandes ciclos. O do café e depois o da lavoura mecanizada. No auge do café criamos nossas universidades e institutos de pesquisa. Depois fomos para o segundo ciclo. E, nos dois, o capital excedente sempre foi canalizado para o mercado imobiliário e de serviços", afirmou. Em momento algum, segundo ele, preocupou-se em investir no setor industrial. "Nossos avós chegaram aqui com sua simplicidade e fizeram aquilo que sabiam fazer: a agricultura. Não tivemos massa crítica para criar as indústrias", declarou.

O vice-presidente da Terra Roxa acredita que a construção civil é bem desenvolvida em Londrina, "com empresas de classe internacional", porque a cidade criou há muito tempo seu curso de engenharia civil. "Somos referência na área médica pelo mesmo motivo."

Fernando Kireeff ressaltou a importância da industrialização como alavanca para o desenvolvimento. Mostrou comparativos entre três cidades do mesmo porte: Londrina, Joinville e Uberlândia (ver quadro). "Quanto maior a participação da indústria na matriz econômica, maior o PIB (Produto Interno Bruto) per capita." Enquanto em Joinville (SC), a participação da indústria é de 42%, em Londrina é de apenas 17%. O PIB per capita da cidade catarinense é de R$ 34,7 mil por ano. E o de Londrina é 28,5% menor: R$ 24,8 mil.

Avanços

Se historicamente Londrina e região deixaram em segundo plano o ensino de ciências exatas e as engenharias, nos últimos anos essa realidade vem mudando. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Unopar, UniFil e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) são instituições que implantaram novos cursos que atendem à necessidade de mudança do perfil econômico da região. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) já aprovou internamente a criação de novos cursos de engenharia, mas o governo do Estado ainda não os liberou.

 

 

Fonte: Folhaweb

Categoria: Investimento, Norte do Paraná, Paraná
Tags: Competitividade, Desenvolvimento Regional, educação, mão de obra, Norte do Paraná

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