Em educação, Brasil perde para Botswana

Publicado em 30/03/2015 às 12h02

O Brasil ocupa o 92º lugar no ranking dos países com maior porcentual de habitantes com 25 anos ou mais de idade com ensino primário completo. No Canadá, o primeiro país da lista, a porcentagem chega a 100%. No Brasil, apenas 53,6% estão nesta condição. Até mesmo Botswana, na África, se encontra em melhor estágio: tem 75,5% da população adulta com ensino primário completo, ocupando o 55º lugar.

Os dados foram mostrados no EncontrosFolha pelo presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e ajudam a explicar as carências da mão de obra no País.

Suzuki afirmou que houve avanços na educação no período de 2001 a 2013. A taxa de alfabetização subiu de 85,4% para 90,3%. "Ainda há um analfabetismo residual", ressaltou. Ele contou que as mulheres estudam mais que os homens. Quando estratificada por gênero, a pesquisa mostra que 89,9% dos homens eram alfabetizados em 2013. E 90,7% das mulheres estavam nesta condição.

Diferença maior se verifica quando a taxa de alfabetização é observada por zona rural e zona urbana. Enquanto 92,3% da população da cidade estava alfabetizada em 2013, somente 79,2% dos moradores da zona rural se encontravam na mesma condição. "A política pública chega com mais dificuldade na zona rural", justificou o presidente do Ipardes.

Suzuki também mostrou que o número de anos de estudo das pessoas com 25 anos de idade ou mais no Brasil subiu de 4 para 7,7, de 1983 a 2013. No Paraná, o índice era melhor, de 8,1 anos. "Tivemos avanços quantitativos muito importantes na educação nos últimos anos. Mas há muita margem para avanços qualitativos."

O presidente do instituto apresentou ainda dados sobre grau de instrução, tanto do País, como no Estado, na microrregião e em Londrina (ver quadro). A porcentagem de londrinenses com nível superior é quase o dobro da média nacional: 19,1% contra 10,5%. Também é maior que a do Paraná (12,7%) e da microrregião (16,3%). "Eu sou um técnico com visão ortodoxa de viés liberal. Mas acredito que a educação e a qualificação da mão de obra (pelo Estado) são condições fundamentais para o desenvolvimento."

Durante o debate, o reitor da UniFil, Eleazar Ferreira, ressaltou a evasão escolar como um dos sérios problemas a serem enfrentados pelo Brasil. "Termina o ensino fundamental, uma pancada de alunos deixa a escola. Termina o 9º ano, outra pancada de alunos deixa a escola. Termina o ensino médio, milhares de alunos também não dão continuidade aos estudos", disse.

Para o reitor, a escola brasileira oferece "pouca competência e habilidades". "Temos 7 milhões de jovens querendo se qualificar em formação média. Mas, no ajuste fiscal, o governo vai economizar no Pronatec", reclamou Ferreira, em referência ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego Institucional.

Ele também se queixou que o governo vai contingenciar R$ 4,5 bilhões do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). "Quem vai sofrer com isso é o pobre. Com isso, o governo vai priorizar instituições melhores, com egressos das melhores escolas. Os das piores, que têm menos renda, ficam excluídos", disse.

Mas o presidente do Ipardes ressalvou que os investimentos em educação no Brasil não são tão pequenos. "São 7% ou 8% do PIB (Produto Interno Bruto), algo próximo dos Estados Unidos. O problema é como os recursos são alocados aqui", destacou. Ele disse que os Estados Unidos "são o que são" por conta de "investimentos pesados" em ensino médio no século passado. "O Estado tem de possibilitar que o indivíduo complete o ensino médio", cobrou.

Ele lembrou ainda de pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) que dão conta da diminuição da presença dos jovens no mercado de trabalho. "Teoricamente é porque o chefe da família está ganhando mais. Se o jovem deixa de trabalhar para estudar, ótimo. Mas temos de lembrar que o 'nem nem' está aumentando no País. Nem trabalha, nem estuda", brincou.

Suzuki introduziu outro aspecto no debate. Ele ressaltou que a população vai começar a diminuir e que esse fato representará novo desafio para a formação de mão de obra. "Por volta da década de 2030, o Paraná começa a perder população. Em Londrina, isso deve ocorrer antes. A força de trabalho que vai começar a diminuir tem de estar empregada em atividade de alto valor agregado", declarou.

 

 

Fonte: Folhaweb

Categoria: Investimento, Norte do Paraná, Paraná
Tags: Desenvolvimento Regional, educação, Norte do Paraná

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