Empresas do PR ganham relevância

Publicado em 01/09/2015 às 15h02

As empresas paranaenses estão deixando concorrentes regionais para trás e ganhando relevância no mercado brasileiro. Nos últimos seis anos, o estado ampliou sua participação em rankings nacionais elaborados por publicações especializadas que medem resultados por faturamento e por indicadores próprios de desempenho. O Paraná tem 78 empresas na lista das mil maiores companhias brasileiras listadas pela edição de 2014 do Valor 1000, anuário do jornal Valor Econômico. Em 2008, eram 67. O dado consolida o Paraná como quarto mercado empresarial mais relevante no cenário nacional, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O desempenho também se reflete na posição do estado no Sul do país. No mesmo levantamento, o Paraná tem a metade das 50 maiores empresas da região. O número é semelhante ao ranking da revista Amanhã, especializada em negócios, que define a lista a partir de um índice próprio: são 22 entre as 50 maiores do Sul. “Ainda nos falta um gigante, pois a diferença de faturamento entre o primeiro dos vizinhos e o nosso é de quase o triplo. Mas as medidas aplicadas nos últimos anos têm garantido maior nível de confiança dos investidores. Há 20 anos, éramos os mais fracos do Sul. Hoje, somos os primeiros”, avalia o economista José Ricardo Oliveira, sócio da consultoria EY. Para os especialistas, incentivos como o do programa Paraná Competitivo, iniciado em 2011, com a prorrogação do pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por até oito anos, são importantes para a atração de investimentos e a expansão do parque empresarial.

Gestão

Outra característica das empresas daqui tem sido a busca pela profissionalização da gestão. O perfil conservador, pautado pela origem familiar dos negócios, aos poucos dá lugar a métodos mais modernos de administração. “A adoção de princípios de governança corporativa é um dos sinais de maturidade do meio empresarial local”, observa o consultor Carlos Peres, sócio da PwC Consultoria, do escritório de Curitiba.

É a gestão profissionalizada e transparente que vai ajudar a mudar o comportamento das empresas do estado diante de mercados mais maduros, como o financeiro, inclusive com abertura de capital. Hoje há poucas paranaenses listadas na Bolsa de Valores. “Quem vai à Bolsa busca investimento para crescer, não para pagar dívidas. E esse salto é essencial para chegar a mercados mais sofisticados”, avalia Peres.

Para o professor de planejamento estratégico do Isae/FGV Miguel Scotti, o Paraná tem reduzido a distância de polos regionais mais desenvolvidos, como São Paulo. Ainda que o desempenho de cada empresa dependa de variáveis pertinentes ao setor e à atividade, há características comuns no ambiente empresarial paranaense. “Temos produtividade elevada, educação e densidade cultural, com mão de obra qualificada. Com esses predicados, o potencial de crescimento é ainda maior. Largamos na frente”, diz.

Cooperativas são retrato da força do estado

A economia baseada no agronegócio e o ano favorável à atividade, com safra recorde em 2013 e crescimento do PIB da cadeia três vezes maior do que do próprio país, foram fundamentais para colocar o Paraná no domínio dos rankings regionais. Na lista das 50 maiores do Sul do anuário Valor 1000, das 25 paranaenses, dez são cooperativas.

Na avaliação do presidente do Sistema da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, as conquistas do cooperativismo estão ligadas ao planejamento estratégico traçado no fim da década de 1990. Ali foram definidas metas para o fortalecimento do cooperado e da cooperativa como empresa, e a aposta na expansão de mercado, principalmente no exterior.

O capital humano também recebeu investimento. Desde 2000, o sistema interno de desenvolvimento profissional da entidade, a Sescoop, promoveu 6 mil eventos, com treinamento para 160 mil pessoas. A capacitação é oferecida em áreas técnicas e administrativas, com enfoque na transferência de tecnologia. A Ocepar também mantém um programa de autogestão, em que acompanha o desempenho dos associados e procura corrigir rumos, em parceria com as respectivas diretorias. “O crescimento exige maior integração nos negócios, para ganharmos volume e atendermos mercados desafiadores, como a China. Com formação e investimento em pesquisa , temos condições competitivas”, diz.

Industrialização

O desafio agora é estimular a industrialização do setor. Hoje, 45% dos produtos paranaenses que passam pelas cooperativas recebem algum tipo de beneficiamento. A meta é chegar aos 100%, e ganhar em valor agregado nas exportações. “Aí está o grande potencial salto de crescimento de nossas empresas: o beneficiamento das commodities”, aposta o consultor José Ricardo Oliveira, da EY. O objetivo da Ocepar é zerar a exportação de produtos in natura.

A força do agronegócio, porém, não distorce a relevância do meio empresarial paranaense, na opinião do consultor Claudio Camargo, sócio líder do escritório da EY em Curitiba. As demais empresas listadas no ranking do Valor 1000, por exemplo, têm boa representatividade de segmentos, como automotivo, varejo, telefonia, energia e saneamento. “Isso indica um ambiente dinâmico nos negócios”, diz.

 

Fonte: Gazeta do Povo

Categoria: Agronegócio, Indústria, Investimento, Norte do Paraná, Paraná

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