Especialistas afirmam que Brasil tem segurança jurídica

Publicado em 11/11/2014 às 10h43

No Campus Internacional, evento que a Ordem dos Advogados de Paris promove no Rio de Janeiro, os participantes têm, basicamente, uma pergunta: Vale a pena investir no Brasil? A resposta veio de economistas e integrantes dos departamentos jurídicos das principais empresas francesas instaladas no país. Se a constatação é de que o Brasil não vai muito bem na economia, uma coisa animou os participantes: a segurança jurídica existe no país.

A programação da manhã desta segunda-feira (10/11), primeiro dia do evento, se destinou a apresentar a conjuntura política, econômica e judiciária brasileira para uma plateia de empresários e advogados franceses e brasileiros que, além da trocar experiências, também estão interessados em firmar parcerias. O ex-ministro das Cidades Márcio Fortes falou que, com o fim da disputa eleitoral, “o projeto, agora, é reunir o país, dialogar e achar agendas concessivas. Isso num momento delicado com a inflação em alta e as contas públicas em desequilíbrio”.

Apesar de o momento econômico não ser dos melhores, Fortes destacou: “Temos segurança jurídica, respeito aos contratos, às leis e às decisões judiciais. É só lembrarmos: recentemente o Supremo Tribunal Federal mandou prender ex-ministros. A Justiça pode ser lenta, mas funciona.”

O diretor e economista-chefe do Banco UBS Pactual, Eduardo Loyo, explicou que a presidente Dilma, reeleita, já sinalizou que haverá mudanças nas políticas econômicas. “O governo parece estar se encaminhando para novos rumos. Parece estar se comprometendo para com a melhora fiscal. Nos resta agora saber: quão intenso e persistentes serão esses ajustes?”

Representantes de empresa francesas com presença no Brasil contaram como foi para se instalar no país. O diretor jurídico da Renault, Joaquim Martins, explicou que a legislação tributária é um grande entrave: “O Brasil não é para amadores. É muito fácil perder dinheiro se não houver o acompanhamento adequado. A empresa que quer se instalar no Brasil deve se apoiar em escritórios de advocacia competentes e em empresas de contabilidade”, destacou. A companhia conta hoje com mais de 7 mil funcionários nas suas unidades brasileiras.

Para Grégoire Balasko Orelio, presidente da PBA Capital, vale a pena investir no  mercado brasileiro, apesar do chamado custo Brasil. “O Brasil é uma terra de oportunidades. Se chegamos com projetos bem montados e se nos rodeamos de pessoas de pessoas certas, a possibilidade de crescimento é grande. No meu ponto de vista o custo Brasil é elevado, mas é algo que incide da mesma forma sobre todas as empresas. Penso que a maior dificuldade no Brasil, e aconselho a todos ficarem atentos, são os riscos de fraude, de corrupção, sobretudo para as empresas que podem ter contato com o governo. Por isso aconselho os investidores estrangeiros a escolherem as pessoas certas, buscarem conselhos junto a pessoas confiáveis.”

Regis Dubrule, diretor-fundador da Tok & Stok abordou a guerra fiscal entre os estados. Atualmente, a empresa tem 42 lojas em 13 unidades da Federação. “Alguns caminhões são detidos nas divisas dos estados. Sempre ficamos em dúvida quanto ao recolhimento do imposto, se na origem ou no destino”, afirmou.

Essa é a primeira vez que o Campus Internacional — nesta terceira edição, rebatizado de Campus Brasil — acontece na América. O evento é promovido com o apoio da seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil. Mais de 300 pessoas estão participando dos debates, que seguem até esta terça-feira (11/11), no Copacabana Palace.

 

Fonte: Cojur

Categoria: Cenário Macroeconômico, Investimento
Tags: jurídico, macroeconomia

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