Exportações do Paraná têm pior resultado em quatro anos

Publicado em 14/01/2015 às 11h31

A combinação de quebra na safra de grãos, recuo dos preços das commodities agrícolas e crise econômica na Argentina foi desastrosa para as exportações do Paraná. Em 2014, as empresas do estado faturaram US$ 16,3 bilhões com as vendas ao exterior, valor 10,5% inferior ao de 2013 e também o menor dos últimos quatro anos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)

Economistas acreditam que o comércio com outros países pode reagir em 2015, graças à desvalorização do real, que torna os produtos brasileiros mais competitivos. Mas não será fácil retornar aos níveis recordes de 2013, quando o Paraná exportou mais de US$ 18 bilhões.

A queda do ano passado foi disseminada: sete dos dez principais grupos de produtos da pauta paranaense tiveram exportações menores. Estão nessa lista produtos do complexo soja, açúcar e cereais, afetados em diferentes medidas por fatores como produção estadual mais baixa, excesso de oferta no mundo e redução das cotações internacionais. A esperada recuperação da safra tende a elevar os embarques de soja em 2015, e a alta da taxa de câmbio deve reforçar as margens de lucro dos produtores, uma vez que cada dólar exportado renderá mais reais. Mas, com a desvalorização das cotações, a chance de alta no faturamento em dólar será mais limitada.

O cenário é mais promissor para as carnes, segundo produto de exportação do estado, cujas vendas subiram 10% em 2014 e tendem a se manter firmes neste ano. “Há empresas investindo em aumento de produção, tanto de aves quanto de suínos. Como muitos dos custos são em reais, a desvalorização da moeda brasileira favorece muito esse ramo”, diz o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

Setor automotivo

Em 2014, o maior impacto para o resultado geral das exportações do Paraná veio da indústria automotiva, que perdeu US$ 743 milhões em receitas e amargou o pior resultado em dez anos. O setor até conseguiu vender mais veículos e autopeças para alguns países latino-americanos – juntos, Colômbia, México, Uruguai, Bolívia e Paraguai aumentaram suas compras em 21%. Nada, no entanto, que pudesse compensar o tombo de 55% nas vendas para a Argentina.

A dificuldade desse setor em abrir outros mercados vai mantê-lo refém da delicada situação do país vizinho, avalia Zurcher. “E não há sinais de melhora vindos de lá”, diz. Segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a queda das cotações internacionais das commodities é outro obstáculo para as vendas de veículos e demais industrializados à Argentina e outros países do continente. “Nossos vizinhos exportam commodities. Com receita menor, serão obrigados a importar menos”, explica.

Reconquista difícil

A AEB projeta uma leve alta para as exportações brasileiras de automóveis e autopeças, bem como de manufaturados em geral, basicamente por causa da alta do dólar. “Mas o impacto positivo do câmbio será limitado, seja porque nossos principais mercados terão menor poder de importação, seja porque a queda nas vendas de manufaturados desde 2008 nos afastou dos Estados Unidos e da Europa”, explica. “Demandará tempo para reconquistarmos esses mercados.”

No vermelho

Além de vender menos para outros países, o Paraná também comprou menos do exterior em 2014 – as importações recuaram 10,6%, segundo o MDIC. O saldo da balança estadual melhorou um pouco, mas continuou negativo, pelo quarto ano seguido. Isso pode mudar em 2015, com a forte queda do preço do petróleo, produto mais importado pelo estado.

Marcha à ré

Nenhuma das grandes empresas do polo automotivo paranaense saiu ilesa em 2014. A retração das exportações afetou companhias como Renault, cujas exportações caíram 45% até novembro, Volvo (-18%), Bosch (-15%) e CNH (-8%). As vendas da Volkswagen caíram 63%, empurrando a montadora, que já foi a maior exportadora do estado, para a 29ª posição .

Três quedas

Em 2014, as exportações de todo o Brasil recuaram 7%, para US$ 225,1 bilhões, completando três anos em queda. Além disso, o saldo comercial – negativo pela primeira vez desde 2000 – foi pior em 16 anos. Para 2015, a AEB projeta uma nova queda nas exportações (-4,3%), mas uma retração mais forte das importações (-9,8%), levando a balança de volta para o azul.

Fonte: Gazeta do Povo

Categoria: Cenário Macroeconômico, Comércio Exterior, Paraná
Tags: Comércio Exterior, macroeconomia, Paraná

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