Frango ganha espaço na crise e deve ter 2016 de crescimento

Publicado em 30/11/2015 às 14h27

A avicultura se vale do status de proteína barata para garantir sustentação no mercado mesmo em um ano de pessimismo e retração econômica. O aperto nas contas das famílias brasileiras e a competitividade da carne de frango no exterior (pela desvalorização do real frente ao dólar) abrem margem para aumento de 3% no abate e de 5% na exportação em 2015, conforme a indústria. Sem esbanjar otimismo, o setor faz as contas para seguir nesse ritmo de crescimento, sem solavancos, em 2016, conferiu a primeira semana de trabalho da Expedição Avicultura, em roteiro de 1,1 mil quilômetros pelo Norte paranaense.

“O crescimento vegetativo do Brasil é em torno de 2%. Se estamos crescendo mais que isso é porque ocupamos o espaço de outras proteínas”, aponta o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins. Ele avalia que é possível seguir nesse ritmo – com ampliação dos abates entre 3% e 5% – no ano que vem, mas que, para isso, é preciso evitar superoferta.

“As empresas estão construindo granjas, abrindo linhas extras de produção nas indústrias. Só precisamos que o setor tenha juízo para continuar crescendo”, frisa Martins. Esse é o caso da GT Foods, de Maringá, que investe por conta e já tem mais de 100 granjas próprias, reforçando o fornecimento de matéria-prima oriunda dos avicultores integrados.

A indústria de carne de frango minimiza o impacto dos preços de soja e milho, principais insumos da ração e têm peso decisivo nos custos da indústria. Mesmo com uma colheita recorde nos Estados Unidos, os dois produtos mantêm cotações elevadas no Brasil, puxadas pelo efeito cambial. “Com bons preços, o agricultor amplia o plantio e garante supersafras seguidas. A avicultura precisa ser pensada como uma corrente, em que todos os elos saem ganhando”, diz Martins.

Diante desse cenário, o setor reforça a atenção aos preços de venda do frango antes de dar vazão a novos investimentos. “A crise favoreceu o consumo [com substituição das carnes caras] neste ano e agora no final de 2014 temos um aumento sazonal na demanda. Mas se os preços do frango caírem o quadro pode ficar desfavorável”, indica Luciano Guimarães, diretor comercial da Guibon Foods, de Cianorte (Noroeste).

A empresa abate 216 mil aves ao dia e faz planos para dobrar a produção em 5 anos, erguendo uma nova planta industrial no valor de R$ 200 milhões. “Só não crescemos mais porque ainda não temos como exportar esse volume adicional. Precisamos garantir a abertura de novos mercados e contar com avanços em questões como a logística”, acrescenta Guimarães.

De olho em fatores pontuais, o setor mira o longo prazo, apostando em crescimento na demanda mundial. “O Brasil já sedimentou seu papel como grande fornecedor global. O mundo sabe que quando quiser aumentar o consumo de carne, e isso vai acontecer, terá que recorrer ao Brasil pelas condições climáticas e geográficas para a produção”, analisa Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A Expedição Avicultura 2015 segue estrada em roteiro pelo Oeste paranaense. Após ser lançado oficialmente na última sexta-feira em Maringá (Norte), o levantamento técnico-jornalístico visita granjas e indústrias nas regiões de Palotina e Cascavel para coletar informações sobre as tendências do mercado e da produção. Nas próximas semanas, os trabalhos seguem por Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Mesmo consolidando um aumento na produção e nas vendas em 2015, a cadeia da avicultura tem os ganhos corroídos pela alta da energia elétrica. O dilema começa nos aviários, que mantêm em operação constante equipamentos eletrônicos para a climatização das granjas e a alimentação dos animais.

“Até agora os produtores estão arcando sozinhos com esse gasto extra, pois não foi possível recuperar o custo [nas cotações do frango]. Isso está corroendo a margem dos avicultores”, lamenta o avicultor e diretor secretário da Associação dos Avicultores do Norte do Paraná (Avinorte), Jean Pazinato.

Em algumas regiões, o ponto de equilíbrio entre receitas e despesas para os criadores subiu de R$ 0,59 por quilo para R$ 0,73/kg, puxado em grande parte pela alta nas tarifas. O aumento é de 23,73%.

O dilema segue até a indústria, que também opera sob pressão. A despesa já assume uma fatia maior na proporção de custos operacionais do setor. “Nunca se gastou tanto para produzir um frango. As indústrias estão gastando em média 15% a mais neste ano e isso afetou a lucratividade do negócio”, o detalha o diretor industrial da Guibon Foods, de Cianorte (Noroeste), Hugo Bongiorno.

 

Fonte: Gazeta do Povo

Categoria: Agronegócio, Cenário Macroeconômico, Comércio Exterior, Emprego, Indústria, Investimento, Norte do Paraná, Paraná

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