Hackathons trazem contribuições para agronegócio e segurança

Publicado em 11/04/2017 às 17h15

Gerar soluções tecnológicas para gargalos dos mais diversos setores da economia é o objetivo dos chamados hackathons, que se popularizam cada dia mais. Nesses eventos, profissionais e estudantes com diferentes expertises se reúnem em grupos e, por alguns dias, fazem um trabalho intensivo de desenvolvimento de uma solução tecnológica que pode vir a se tornar um produto rentável no mercado. No último domingo, terminou na 57ª ExpoLondrina o Hackathon Smart Agro, que premiou os melhores projetos na área do agronegócio com o tema "Produtividade, Logística e Segurança". O ganhador foi a equipe formada por Giancarlo Gaeta, Pistone Elias, Jean Carlos Fabiano dos Santos e Lucas da Silva Dias, que desenvolveram um projeto de controle de ferrugem na soja.


Os integrantes da equipe – alunos de doutorado, mestrado e graduação - trabalham juntos em um laboratório do departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e já tinham consciência de um desafio enfrentado pelos produtores na detecção da ferrugem na soja. O processo envolve a coleta de lâminas contendo esporos da ferrugem na propriedade e o transporte delas até um laboratório - um trabalho "totalmente manual", de acordo com Gaeta. A ideia do grupo vencedor do hackathon foi automatizar esse processo e possibilitar medir outros fatores que influenciam no desenvolvimento da ferrugem: a temperatura, a umidade e o molhamento foliar.


Conforme o projeto vencedor, a medição dessas variáveis, bem como a coleta dos esporos, pode ser feita por uma espécie de estação meteorológica situada dentro da propriedade (batizada de "árvore eletrônica") que envia dados dos sensores para a nuvem. O único trabalho do produtor será coletar as lâminas da estação e levá-las a outro equipamento dentro de sua casa que faz fotografias microscópicas da amostra e as envia para a nuvem. A equipe vencedora do Hackathon Smart Agro ganhou um prêmio de R$ 5 mil, seis meses de incubação na Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da UEL (Intuel), 30 horas de consultoria do Sebrae Londrina, uma bolsa integral de MBA no Senai Londrina e licenças de software da IBM e da Microsoft.


Em Curitiba, outro grupo desenvolveu um projeto de pulseira que monitora o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e outras variáveis em ambientes de trabalho. A solução atende ao tema do Hackathon Sesi Health Tech, evento realizado em março voltado à segurança e à saúde dentro das empresas. Conforme explica João Pedro Novochadlo, um dos integrantes, a solução mais viável encontrada pela equipe para o problema de segurança nas empresas foi uma pulseira, de fabricação própria, que poderá emitir alertas caso os equipamentos de proteção individual estejam distantes do trabalhador. Para isso, deverão ser instalados nos equipamentos sensores que se comunicam com o acessório. Além disso, a pulseira poderá medir outras variáveis do ambiente, como gases ou temperatura, a depender da atividade industrial. Participaram do hackathon 12 equipes, e a vencedora recebeu prêmio no valor de R$ 10 mil e troféus impressos em 3D.


Silvana Kumura, coordenadora do Instituto Senai de Tecnologia da Informação e Comunicação (IST), avalia que o Hackathon Smart Agro trouxe soluções eficientes para importantes "gargalos" do setor do agronegócio. "Todos os projetos conseguiram buscar uma forma de aplicar tecnologias já disponíveis para gargalos do agronegócio." A pesquisa de similares no mercado por parte das equipes permitiu que soluções inovadoras surgissem no evento.


"A indústria como um todo carece de inovações para prevenir acidentes e promover a saúde", comenta Rosângela Fricke, gerente executiva de Segurança e Saúde para a Indústria do Sistema Fiep. Ela conta que os hackathons são uma maneira mais rápida e dinâmica de trazer soluções para problemas na indústria. O projeto vencedor do Sesi Health Tech irá para a incubadora da Fiep. Outros projetos apresentados também despertaram o interesse de indústrias, e podem vir a receber investimentos, observa ainda Rosângela.


Para os participantes dos hackathons, as vantagens vão além da premiação. "Foi uma boa experiência, principalmente do ponto de vista de contato com os mentores. É bastante experiência em muito pouco tempo", comenta Gaeta, do time vencedor do Smart Agro. A possibilidade de lançar o produto idealizado no evento, com todo o suporte dos organizadores, é outro resultado animador, diz o engenheiro eletricista. Para Novochadlo, da equipe vencedora do Sesi Health Tech, "sair da zona de conforto" foi o principal benefício da participação no evento. "A gente está acostumado a lidar com um tipo de assunto e acaba ficando fechado para outras temáticas."

 

Fonte: Folha de Londrina

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