Hora de ‘arrumar a casa’

Publicado em 16/05/2016 às 13h40

Na avaliação do Sinduscon Norte, Londrina tende a enfrentar o cenário econômico turbulento com mais facilidade devido ao bom padrão de escolaridade da população e porque maioria dos imóveis é de incor
"O futuro da construção no Brasil" foi o tema da palestra ministrada pelo presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), José Carlos Rodrigues Martins, durante o Fórum Eletrometalcon 2016 realizado entre os dias 3 a 5 de maio no Senai em Londrina. Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor por causa das crises política e econômica, a avaliação de Martins é de que o mercado tem grande potencial de crescimento por pelo menos mais de 10 anos.
Em entrevista concedida à reportagem da FOLHA, o presidente da CBIC disse ser muito difícil, neste momento, fazer uma projeção do setor – que trabalha com produtos de longo prazo – por conta do cenário de instabilidade no Brasil. Segundo ele, a construção civil é a primeira a pagar o preço durante a recessão. Só para se ter uma ideia, de 2013 até agora, o setor perdeu cerca de 650 mil trabalhadores com carteira assinada.
"Quando há falta de dinheiro, a família não vai deixar de pagar a escola, o plano de saúde, o aluguel, mas vai protelar a compra de um apartamento", exemplifica. Por outro lado, ele afirma que o sonho da casa própria pode até ser adiado diante de um período de incertezas, porém será concretizado no futuro. "Se você não almoça hoje, amanhã você não vai almoçar duas vezes. Mas se hoje você não comprar a tua casa ou apartamento, amanhã você vai fazer a compra", argumenta.
Martins lembra que, durante a recessão, a demanda fica reprimida, mas quando a situação voltar à normalidade, terá que ser absorvida pelo mercado. "Estamos vivendo um momento muito difícil, mas temos que entender que daqui a pouco o jogo vai virar e precisamos estar preparados." Prova disso é que, segundo o presidente da CBIC, será necessária a construção de 19,1 milhões unidades residenciais em todo o Brasil até 2024 para atender o deficit habitacional.

Como se preparar


Na opinião de José Carlos Martins, pequenas, médias e grandes construtoras têm que ser conservadoras na tomada de decisão e se preparar para se tornarem competitivas, investindo em tecnologia e gestão. "Isso parece meio absurdo, já que as empresas não estão conseguindo dar conta nem da folha de pagamento, mas elas têm que aproveitar esse momento de dificuldade para mudar estruturalmente, cortar gastos e se tornarem mais eficientes", orienta.
A recuperação do setor imobiliário passa pela retomada da confiança na economia brasileira. Quando isso ocorrer, as empresas terão novamente a capacidade de fazer planejamento. "O setor da construção civil é a locomotiva do desenvolvimento. Tem que ser estimulada para não parar", diz.

Londrina


Na avaliação do vice-presidente de economia e de incorporação imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte/PR), Olavo Batista Junior, Londrina não está no epicentro da crise, que atinge de formas diferentes cada centro ou região brasileira.
Segundo ele, a cidade atravessa o momento atual com mais facilidade já que possui uma população com escolaridade acima da média – capaz de se planejar e se blindar em momentos difíceis – e porque a maioria dos imóveis é de incorporadoras locais e de capital fechado. "Conhecem a dinâmica da cidade, onde as pessoas querem morar, para onde elas migram", acrescenta.
Mesmo sem nenhum lançamento vertical no primeiro quadrimestre de 2016, a demanda tem sido atendida com o estoque de unidades do ano passado – que terminou com saldo negativo. "Se ninguém lançar mais nada em Londrina, em 10 meses vamos ter um apagão de unidades", calcula.
Cerca de 3 mil unidades residenciais verticais tem sido colocadas no mercado imobiliário da cidade na última década. "Isso tem sido administrado de forma consistente entre demanda e oferta", garante o vice-presidente do Sinduscon.
Boa parte do estoque atual de imóveis é de padrão médio, voltado às classes B e C. Olavo Batista destaca que o perfil do atual comprador é basicamente de moradores e não investidores. É aquela fatia da população com maior poder aquisitivo e menos afetada pela crise, que guardou recursos e aproveita o momento para mudar para um imóvel melhor, de alto padrão.
Por outro lado, existe um público com menor renda, mas que também fez sua poupança e por falta de confiança na economia e política, está aplicando o dinheiro em um imóvel e "blindando" o patrimônio. Os preços, de acordo com Batista, estão "acomodados". Porém, assim como em períodos de bonança, quem tem dinheiro na mão consegue fazer os melhores negócios. "O momento é do comprador", garante.

Desafios e oportunidades


Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), José Carlos Rodrigues Martins, os grandes desafios da construção civil daqui pra frente são a estabilidade macroeconômica; o controle e eficiência do gasto público – já que o governo perdeu a capacidade de investimento -; reformas estruturais; melhorias no ambiente de negócios; aumento da produtividade; investimento em tecnologia; e adaptação do mercado a esse novo modelo.
Martins destaca que o futuro está nas concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). Na avaliação dele, a melhora da eficiência da economia brasileira deve passar pelo investimento privado. "As concessionárias de obras públicas recebem por desempenho e a sociedade fiscaliza de perto." Ao mesmo tempo, é necessário também combater a informalidade na construção civil. "54% do setor hoje é informal", pontua.

Fonte: Folha de Londrina

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