Investimento estrangeiro no país deve registrar nova alta

Publicado em 25/01/2017 às 16h03

O investimento direto no País (IDP) cresceu 6% no ano passado ante 2015, de acordo com o Banco Central (BC). E a tendência é de continuidade da entrada desses aportes nos próximos meses.

"É bastante provável um novo aumento", indicou Helcio Takeda, sócio da Pezco. Um dos motivos é a trajetória de queda da Selic, que deve estimular o investimento em produção no País. "Essa redução melhora as perspectivas para negócios", disse.

Professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Agostinho Pascalicchio também apostou em um crescimento do IDP. "Depois de dois anos, o nosso PIB [Produto Interno Bruto] vai crescer. Esse cenário atrai o investimento estrangeiro."

As medidas promovidas pelo governo também seriam vistas com bons olhos no exterior. Segundo Takeda, o teto para gastos públicos e a reforma da previdência mostram que o Executivo, "ainda que fragilizado", pode "criar um ambiente melhor" para a entrada de capital.

No ano passado, o IDP alcançou US$ 78,929 bilhões, ou 4,36 do PIB brasileiro, ante US$ 74,475 bilhões em 2015. Os dados fazem parte do relatório de setor externo, divulgado ontem pelo BC.

O novo aumento dos aportes também deve ser ajudado pelo avanço dos projetos de concessões e privatizações, afirmou Takeda.

Já Pascalicchio lembrou que a provável abertura de capital de algumas empresas, nos próximos meses, pode fortalecer o IDP. "Os novos IPOs também mostram um quadro mais positivo para os investidores", explicou ele.

 

Oportunidade e câmbio

O avanço dos aportes visto no ano passado, entretanto, teria sido causado pela crise econômica e pela desvalorização da moeda brasileira.

"As dificuldades da recessão criaram oportunidades para os estrangeiros. Parcelas de empresas nacionais foram adquiridas por preços menores e companhias inteiras foram compradas", comenta Takeda.

Por outro lado, o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, disse que a taxa de câmbio corrente não é tão determinante para os aportes quanto às estratégias setoriais e as perspectivas de longo prazo da economia brasileira.

"O IDP é vinculado a decisões de mais longo prazo e pode se manter mesmo em anos de atividade econômica no País muito fraca", avaliou.

Na separação por setores, houve aumento das entradas para indústria e agropecuária e extração mineral, enquanto que os aportes para serviços diminuíram em 2016.

O avanço de 8,2% das entradas para a indústria, que chegaram a US$ 36,571 bilhões, teve como principal causa a alta de 63,5% em derivados de petróleo e biocombustíveis.

Já o aumento de 70% do IDP para agropecuária e extração, que alcançou US$ 10,139 bilhões, foi puxado por uma alta de 20,2% no ramo de extração de petróleo e gás natural.

No setor de serviços, houve diminuição de 16,4%, para US$ 22,923 bilhões, graças à queda de 48,7% do IDP no ramo de telecomunicações.

O maior remetente de investimentos, em 2016, foi a Holanda, com US$ 23,490 bilhões. Em seguida, apareceram Luxemburgo (US$ 9,841 bilhões) e EUA (US$ 9,364 bilhões). Também chamou atenção o aumento do fluxo de aportes franceses, que estava negativo em 2015 (-US$ 477 milhões) e chegou a US$ 3,352 bilhões no ano passado.

Segundo Pascalicchio, europeus e americanos devem se manter no topo da lista em 2017. "As taxas de juros dos países desenvolvidos está baixa ou negativa. Por isso, os investidores de lá vão buscar opções mais rentáveis", disse.

A eleição de governos protecionistas, como o de Donald Trump, não é um empecilho para esses aportes no curto prazo, defendeu o professor. "Nos próximos meses, deve haver certa indefinição sobre as medidas que serão tomadas, o que dá espaço para o avanço desse investimento", entende.

 

Déficit menor

O relatório do BC também mostrou que o déficit na conta corrente registrado em 2016, de US$ 23,507 bilhões, foi o menor desde 2007.

Para Takeda, não deve acontecer um novo recuo neste ano. Segundo ele, o aumento dos gastos de brasileiros no exterior e o avanço das importações, que reduziria a balança comercial, impedirão uma nova queda do déficit em conta.

Rocha informou, ontem, que o resultado negativo nas transações deve chegar a US$ 6 bilhões já em janeiro. Em igual mês de 2016, o déficit foi de US$ 4,815 bilhões.

De acordo com o diretor do BC, é cedo para afirmar que o aumento do déficit em janeiro deste ano significa uma retomada na economia.

"Esse resultado é uma projeção pontual a partir dos resultados já ocorridos. Quando tivermos mais elementos, poderemos ver uma influência maior da atividade econômica nas contas externas. Essa transmissão não ocorre de maneira tão contemporânea assim", explicou.

Ele disse ainda que o recuo do déficit, em 2016, mostra a "magnitude" do ajuste nas contas externas do País.

"Isso pode ser visto na comparação com 2015 e principalmente com 2014, quando houve déficit de US$ 104,2 bilhões. Ou seja, houve uma redução de 77% em dois anos", acrescentou. "Em 2016, também ocorreu redução significativa no déficit, de 60% ante 2015", completou Rocha.

 

Fonte: DCI

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