“Os investidores estrangeiros começaram a voltar para o Brasil”

Publicado em 14/05/2018 às 18h04

Um efeito da crise econômica global iniciada em 2008 foi drenar dinheiro do ecossistema brasileiro de startups. Investidores estrangeiros ficaram mais assustados com o risco de investir no país e frearam. Mas para Andy Tsao, diretor para mercados emergentes do Silicon Valley Bank, isso deve começar a mudar. Com a estabilização da economia, investidores norte-americanos voltaram a flertar com startups e fundos brasileiros.

O momento ajuda. Há algumas saídas bem-sucedidas – como a da 99, que se tornou um unicórnio no início do ano, ao ser comprada pela chinesa Didi Chuxing. Andy está no Brasil nesta semana para um evento da BayBrazil, organização de que é conselheiro, e conversou com Época NEGÓCIOS. A organização conecta empreendedores brasileiros ao Vale do Silício e ajudam corporações a implementar processos de inovação.

Quais são os principais desafios que as empresas brasileiras enfrentam quando entram no mercado dos Estados Unidos?

Estamos fazendo desenvolvimento de negócios no Brasil e na América Latina há seis anos, e trabalhamos com várias startups e empresas de venture capital. Vi muito progresso no ecossistema de startups brasileiro ao longo desses anos, apesar do cenário econômico desafiador.

Muitas das empresas com que trabalhamos como startups cresceram em alguns casos até o nível de unicórnios, como a 99. Um dos desafios é entender que o ecossistema é mais novo, tem oito ou nove anos. A quantidade de capital disponível para as startups brasileiras é relativamente pequena, e ainda é difícil chamar o capital estrangeiro para investir aqui. Quando as startups vão para os EUA, muitas vezes não se dão conta de que é o mercado mais competitivo do mundo para startups. Pensam que como tiveram sucesso no Brasil e na América Latina, estão prontas para chegar aos Estados Unidos.

Como a crise econômica afetou o desenvolvimento das startups ao longo desses anos?

De um lado, a recessão teve um grande impacto, principalmente de empresas que estavam voltadas ao consumo. Mas na média, as startups continuaram a crescer apesar da crise. O progresso do ecossistema em geral foi forte. Isso mostra que os problemas que as startups estão querendo resolver são muito grandes. E há grandes oportunidades para startups que querem resolver problemas. Mas de uma perspectiva global, o impacto foi que os investidores internacionais ficaram mais preocupados com o risco. Alguns investidores ficaram mais hesitantes em investir em startups e fundos brasileiros. A notícia boa é que agora que a economia voltou a crescer, vemos alguns investidores voltando.

Quais são suas expectativas para as startups brasileiras nos próximos cinco anos?

Acho que esse é um momento animador para o ecossistema. Se você olha para o tempo médio de um fundo de venture capital, é de cerca de dez anos. Os investidores esperam que a empresa tenha crescido e querem um a possibilidade de saída do investimento, seja em uma venda ou em um IPO. Se você olha para o Brasil, esse movimento começou em 2008, 2009, 2010. Agora, em 2018, começamos a ver algumas startups fundadas lá atrás ganhando escala e começando a propiciar saídas – o caso da 99 é um bom exemplo. Acho que o que está acontecendo agora é um pequena amostra do que vai começar a acontecer no Brasil.

Na sua visão, como o Brasil se compara com outros países em desenvolvimento no quesito inovação?

Os brasileiros são muito bons empreendedores, criativos, e alguns investidores estão indo muito bem também na mentoria dessas startups. Mas o ecossistema ainda é relativamente pequeno comparado com o tamanho da população. Por exemplo, o Canadá (com menos de um quinto da população do Brasil) investiu cerca de US$ 3 bilhões em venture capital no ano passado. No Brasil, foram cerca de US$ 860 milhões. Mas está crescendo rapidamente. E vejo comparações com a Índia e com o sudeste asiático, países como Malásia e Indonésia – países com populações grandes e jovens. Nesse caso, há muitas similaridades quanto à inovação técnica e a habilidade de transformar a sociedade, e criar empresas com grande valor.

O que o Silicon Valley Bank busca ao avaliar uma startup?

Queremos empreendedores ambiciosos. Não há nada de errado em querer um negócio familiar, mas nós buscamos pessoas que querem desenvolver negócios globais. Vai parecer um pouco brega: buscamos quem quer causar um impacto na sociedade e mudar o mundo.

Fonte: Época Negócios

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