Nadando de braçada

Publicado em 19/10/2015 às 11h18

A piscicultura paranaense continua – ano após ano – mostrando um potencial enorme de produtividade e rentabilidade, principalmente quando se trata de um peixe conhecido dos bares, restaurantes e também nas gôndolas dos supermercados do País: a tilápia. Última pesquisa da produção pecuária realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no início deste mês, aponta uma produção de 57,3 mil toneladas de peixe em 2014 no Estado, alta de 12,1% frente as 51,1 mil toneladas do ano anterior. Crescimento que bate de frente com duas vedetes do agronegócio paranaense: suíno e frango. 


Deste montante, 89% são ligados diretamente à produção de tilápia. O crescimento da espécie é ainda mais interessante: de 44,7 mil toneladas em 2013 para 51 mil toneladas no ano passado, um crescimento de 15% em águas paranaenses. Isso representa 25% das 198,5 mil toneladas de tilápia produzida no País. No Oeste do Estado, nas regiões de Toledo e Cascavel, estão concentrados 68% da produção, basicamente realizada em viveiros escavados. No polo do Norte do Estado, que aglomera as cidades de Londrina, Cornélio Procópio e Santo Antônio da Platina, o volume produtivo corresponde a 16% do estadual, divididos entre viveiros de terra e tanques-rede. 


Números comprovados pelo extensionista especializado em aquicultura e pesca do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Luiz Danilo Muehlmann. Para justificar tal crescimento, ele comenta que é preciso olhar para os dois lados da cadeia: produtor e consumidor. "Para o piscicultor, apostar no pescado se mostra uma excelente alternativa de renda nas propriedades que possuem água de qualidade. É uma atividade que ocupa pequeno espaço e por isso dizemos que tem uma renda adensada. Hoje, apesar dos altos e baixos, traz retorno financeiro para quem é profissionalizado. Produção de tilápias exige trabalho, capital, conhecimento e tecnologia", salienta Muehlmann. "Na outra ponta, temos o consumidor, cada vez mais consciente dos benefícios para a saúde que o pescado oferece." 


Apesar dos viveiros de terra predominarem no Estado, a produção em tanques-rede ganhou espaço principalmente porque o investimento inicial é menor. Em contrapartida, o custo de produção neste sistema é mais elevado, porque todo o crescimento do peixe depende do alimento oferecido pelo produtor. "No viveiro, uma boa parte da alimentação é obtida através da produção primária da água", explica o extensionista. 

ENTRAVES


Apesar do crescimento pujante, os números poderiam ser ainda melhores se não houvesse alguns entraves. O maior gargalo continua sendo o licenciamento ambiental - moroso e burocrático - que pode fazer um piscicultor esperar pelo menos seis meses para conseguir uma licença de produção. "Para viveiro de terra, por exemplo, é preciso a licença prévia, uma licença de instalação e depois a licença de operação. Para cada uma delas, há uma série de quesitos para serem cumpridos. O IAP (Instituto Ambiental do Paraná) faz o que pode, mas o produtor muitas vezes perde a paciência, faz as atividades por conta e acaba se dando mal. Neste sentido, tudo precisaria ser mais rápido e simplificado, sem o investimento de tanto dinheiro para sair a licença." 


Outro problema é a falta de profissionalização da atividade. Hoje, os extensionistas do Emater e as universidades não possuem profissionais suficientes para atender a demanda dos piscicultores. Como peixe exige informação e tecnologia, isso acaba atrapalhando a evolução da atividade. "Por fim, vejo que os piscicultores precisam se organizar melhor, para o trabalho ganhar eficiência no que diz respeito ao manejo, mercado e comercialização. A contratação de assistência técnica, por exemplo, seria mais viável e de menor custo se eles estivessem trabalhando em conjunto", finaliza Muehlmann.

 

Fonte: Folhaweb

 

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