Número de pequenos exportadores no Paraná cresceu 16%

Publicado em 16/05/2016 às 14h08

Mesmo com a crise econômica, as pequenas empresas do Paraná ampliaram sua presença no mercado externo nos últimos anos. Levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes) mostra que, em 2010, o Paraná tinha 1.358 pequenas empresas exportadoras – com vendas externas de até US$ 1 milhão por ano. No ano passado, esse número estava em 1.575 empresas, um crescimento de 16% no período.
A pesquisa toma como base dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
O avanço das empresas de pequeno porte do Paraná no Exterior supera a média nacional. No mesmo período, o número de pequenos exportadores passou de 16.176 para 17.380 no país, alta de 7,4%.
O Estado ocupa a terceira posição entre as unidades da federação com maior número de pequenos exportadores, atrás apenas de São Paulo e Rio Grande do Sul, à frente de Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre 2010 e 2015, a participação no Paraná no total de pequenos exportadores do País nacional saltou de 8,4% para 9,1%.
“O Paraná tem uma tradição exportadora e empreendedora, o que ajuda a explicar esse destaque maior em termos nacionais. A participação das exportações sobre o PIB (Produto Interno Bruto) é de 13% no Paraná, contra uma média de 10% no Brasil”, diz Julio Suzuki Júnior, diretor presidente do Ipardes.
“O interessante é que as pequenas empresas estão se apropriando do câmbio mais favorável para exportar mais e compensar a retração no mercado interno. E o impacto social dos pequenos é maior, porque são grandes geradores de emprego”, acrescenta.

Abrindo mercados


A fabricante de cachaça paranaense Porto Morretes, que atualmente exporta entre 70% e 80% da sua produção aos Estados Unidos, é um exemplo de como as empresas pequenas estão conseguindo abrir mercado no Exterior. A empresa, que fabrica de 60 mil a 70 mil litros de cachaça por ano, se prepara para fazer sua estreia no mercado europeu ainda esse ano.
“Nosso começo foi difícil, mas abrimos mercado com viagens, visitas a feiras e contatos de redes de importadores”, diz Fulgêncio Torres, um dos fundadores da empresa, criada em 2003 em Morretes, no litoral do Estado. Hoje a empresa vende cachaça premium para redes de bares e restaurantes nos Estados Unidos onde é usada para fazer coqueteis. As exportações somam US$ 400 mil por ano.
Com apoio do BRDE e da Fomento Paraná, a empresa investiu, há três anos, na ampliação da sua infraestrutura. “Investimos para ampliar nossas instalações e equipamentos e chegamos a exportar com prejuízo quando o dólar foi a R$ 1,60. Agora, depois do mercado interno capotar, exportar é a única saída”, diz. O objetivo da empresa é crescer de 20% a 30% ao ano e ampliar o número de funcionários de 15 para 20 até o fim do ano.
O levantamento do Ipardes mostra que o maior salto no número de pequenos exportadores se deu no ano passado, quando as empresas começaram a se beneficiar do dólar mais favorável. O número passou de 1.431 para 1.575. Um dado relevante, de acordo com Suzuki Júnior, é que esses exportadores são dos ramos mais diversos, de confecções a madeireiras, passando por fabricantes de metais, plástico, eletrodomésticos, computadores e companhias ligadas ao agronegócio.

Boas expectativas


Para 2016, o câmbio mais favorável traz boas expectativas para os exportadores. “Tudo indica que nesse ano o Paraná reverte os dois anos consecutivos de queda nas exportações”, diz Julio Suzuki Júnior.
No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações totais do Paraná cresceram 10,88% em relação ao mesmo período do ano passado e totalizaram US$ 4,86 bilhões.
As microempresas paranaenses exportaram US$ 21 milhões no Paraná em 2015, 18% mais do que os R$ 18,1 milhões exportados em 2014, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em 2015, eram 509 microempresas exportadoras no Paraná, 100 a mais do que o número de 2014.
Pelos critérios do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, um estabelecimento é considerado microempresa quando apresenta até 10 empregados e exporta até US$ 400 mil por ano, no caso do setor industrial. Já no segmento de comércio e serviços, a delimitação da microempresa tem como critério um quadro funcional de até cinco empregados e exportações anuais de até US$ 200 mil.
A agência paranaense do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) vem ampliando seu apoio às pequenas e microempresas. Entre 2011 e 2015, foram R$ 575 milhões em contratações em todas as regiões do Estado. Em 2011, o banco havia emprestado R$ 85,5 milhões, volume que saltou, no ano passado, para R$ 122 milhões, aumento de 42% no período.
“Faz parte da missão do banco apoiar as pequenas e microempresas, por sua importância econômica e social. É uma forma de o BRDE levar a sua atuação a todo o Estado”, diz Everson Almeida Leão, gerente de operações adjunto para as áreas de pequenas e microempresas.
O aumento dos volumes é reflexo também da decisão estratégica de montar uma equipe específica para atender esse público. “Atualmente são 11 pessoas no grupo, que auxilia não apenas nos financiamentos e no apoio técnico, mas também na formatação dos projetos e que caminha junto com as empresas. Um dos trabalhos é desmitificar a ideia que pequenas e microempresas não conseguem ter acesso a linhas de longo prazo. Isso está mudando”, diz.
Além das tradicionais linhas de financiamento para pequenas e médias empresas, o BRDE trabalha com uma linha de financiamento para a produção de bens com o objetivo de exportação, o BRDE EXIM. Leão diz que a linha pode financiar até 80% do compromisso de exportação da micro ou pequena empresa e o prazo para pagamento pode chegar a três anos, dependendo do segmento. A taxa de juros em média é de 1,3% ao mês.

Fonte: Agência de Notícias do Paraná

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