O oásis da seda no Paraná

Publicado em 06/08/2018 às 11h09

Objeto de luxo, desejo, um lenço de seda pura da marca francesa Hermès pode ser adquirido por, no mínimo, 360 euros, aproximadamente R$ 1,55 mil, e vai além: ultrapassando a casa dos R$ 3,5 mil. Produto de alto valor agregado – ícone histórico da alta costura – e que tem como matéria-prima o fio produzido na Bratac, em Londrina, única fiação de seda do lado ocidental do planeta e que exporta mais de 90% da sua produção. 

 

Sobrevivente entre as fiações de seda nacionais – que já chegaram a 15 e foram sufocadas pelas fibras sintéticas para se adaptar ao mercado – se tornou um oásis para o setor, mas de extrema relevância para uma cadeia sólida e verticalizada. Não por acaso, a Bratac sempre foi muito fechada, afinal, sobreviveu às fortes pancadas do mercado internacional, principalmente à concorrência chinesa, criando suas próprias máquinas, tecnologias, estratégias de mercado, e dando todo o suporte às atuais 2,5 mil famílias de sericicultores dos estados do Paraná (82% da produção), São Paulo (12,5%) e Mato Grosso do Sul (5%). 

Mas o olhar mais atento dos consumidores em relação à sustentabilidade (incluindo no setor têxtil) – aliado a um bom momento para ganhar espaço no mercado global – fez a empresa paranaense, digamos, estar mais aberta às novas oportunidades e, assim, pensar no aumento de seu market share. Sozinha, a Bratac projeta ultrapassar nos próximos anos 600 toneladas de produção do fio, um aumento de 20% nas plantas industriais alocadas em Londrina e Bastos, no interior de São Paulo. Para isso, basta matéria-prima e nada mais. Vale dizer: o Brasil ocupa a 5ª colocação mundial na produção de fio de seda graças a empresa, atrás apenas de China (82%), Índia (16%), Uzbequistão e Tailândia. 



O presidente da Bratac, Shigueru Taniguchi Júnior, dá uma leve risada quando questionado pela reportagem da FOLHA porque a empresa sempre foi tão fechada, mas explica que sempre precisou criar estratégias de mercado para não depender de terceiros e manter toda a cadeia funcionando, desde a assistência ao sericicultor integrado até a criação de novas tecnologias na linha produção. "Existe um lado positivo de não ter concorrentes, mas também o negativo, porque não temos parâmetro de comparação, análise de deficiências, ou mesmo fornecedores para uma máquina nova, por exemplo. Somos totalmente verticalizados." 

A possibilidade de ampliar o market share mundial de atualmente 0,5% para, quem sabe, o dobro disso está associado principalmente ao cenário de produção de fios de seda na China. Como aumento do poder aquisitivo da população chinesa, a produção de fios de seda do País está atendendo o consumidor interno, abrindo espaço para se galgar novos mercados que os chineses estão deixando de lado. "Outro ponto é que as fiações perto das grandes cidades chinesas também estão sofrendo com o aumento de custos. Salário mínimo de US$ 20 dólares na China não existe mais. Há um fortalecimento do sindicato dos trabalhadores e as fiações que não têm linha de produção muito diversificada tendem a migrar para o interior, o que não é muito simples, pela falta de estrutura", explica Júnior. 

É claro que esse processo de ganhar espaço no mercado internacional não é simples. Hoje, o presidente da Bratac relata que não tem condições de aceitar novos pedidos, mas o incremento de 20% da produção, sem investimento algum, já atende facilmente os parceiros de longa data. "A partir daí posso prospectar novos mercados. Respeito muito a parceria e não faço leilão de quem paga mais pelo nosso fio. Não é nossa filosofia. Não podemos deixar ninguém na mão. O nosso maior desafio é conseguir a matéria-prima."

 

Fonte: Folha de Londrina

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