Oferta de orgânicos cresce mas ainda é menor do que demanda

Publicado em 21/03/2016 às 12h09

O Paraná é o estado com maior número de propriedades e associações de alimentos orgânicos cadastradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e ainda assim há falta de produtos do tipo no mercado. Agroindústrias que processam frutas sofrem com a falta de matéria-prima e os preços ao consumidor final são mais altos não apenas pelo custo maior para a cultura livre de químicos, mas porque a oferta é menor do que a demanda. 
Não deveria. Os 1,7 mil fornecedores paranaenses que estão no Cadastro Nacional de Produtores de Orgânicos do Mapa são cerca de um terço dos 5 mil produtores rurais que plantam produtos do tipo no Estado, conforme dados do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Porém, pela falta de certificação, a grande maioria não pode revender produtos com a alcunha de orgânicos a outras regiões ou a indústrias que exigem o selo de garantia. 
A quase totalidade dos agricultores que aderiram à prática estão em propriedades familiares, o que dificulta o pagamento de até R$ 2,5 mil por um ano de certificação. Existem opções mais baratas, em caso da formação de grupos e associações, e até gratuitas, como pelo Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCPO), gerido pela Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). 
Mercado para orgânicos é o que não falta. Das 17,4 mil toneladas colhidas na safra paranaense de 2006/07, o volume saltou para 50,4 mil toneladas em 2014/15, alta de 188%, de acordo com o Emater. Mesmo assim, existem casos como o da agroindústria Verde Brasil Alimentos Orgânicos, com sede em Piraí do Sul, que possui capacidade para colocar à venda até 10 toneladas ao mês de polpas e geleias de frutas orgânicas, mas chega a trabalhar com ociosidade de até 40% pela falta de oferta de matéria-prima. 
"O consumo está superaquecido pelo forte apelo pela alimentação saudável de hoje em dia e o gargalo está na oferta. Por isso, é importante a criação de políticas públicas que fomentem esse mercado", diz o coordenador do Núcleo de Estudos de Agroecologia e Territórios que pertence à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Rogério Macedo. Ele cita programas federal e estadual de compra de produtos de agricultores familiares para a merenda escolar, que paga um bônus para itens orgânicos. 

 



Mal no ranking


Existe resistência por parte dos produtores em aderir ao modelo natural, principalmente pelo temor sobre como agir na erradicação de pragas. Macedo considera que é preciso aumentar os incentivos na formação técnica e tecnológica no segmento, além de fortalecer políticas de compra, para dar mais segurança aos produtores na transição e alcançar índices de cultivo sem agrotóxicos nos níveis das principais nações do mundo no setor. 
O Brasil é apenas o décimo em área ocupada pela produção de orgânicos, com 705 mil hectares ou 0,27% do total de terras agrícolas, segundo estudo da Federação Internacional de Agricultura Orgânica (Ifoam, na sigla em inglês). Ainda que os números estejam desatualizados, já que o Mapa considera 950 mil hectares, o espaço ocupado é bem menor do que os 12 milhões de hectares da Austrália (2,9%), os 3,6 milhões da Argentina (2,6%) ou os 2,1 milhões dos Estados Unidos (0,6%), os três primeiros. 
Se considerados países europeus com território bem inferior ao brasileiro, a diferença continua grande. A quinta colocada Espanha tem 6,4% das plantações livres de agrotóxicos, ou 1,6 milhão de hectares, seguida por Itália (9,1% e 1,1 milhão ha), Alemanha (6,2% e 1 milhão ha) e França (3,7% e 1 milhão ha). "O que a Europa e os Estados Unidos fizeram foi justamente promover a maior difusão de tecnologias alternativas, e muito antes do Brasil", diz Macedo. 

 

Fonte: Folhaweb

 

FonFonte

Categoria: Agronegócio, Norte do Paraná, Paraná

Enviar comentário

voltar para Notícias

left tsN fwR uppercase show|left tsN fwR uppercase bsd b01s|left fwR uppercase show bsd b01s|bnull||image-wrap|news login uppercase b01 bsd c10|fsN fwR uppercase b01 bsd|fwR uppercase b01 bsd|login news fwR uppercase b01 bsd|tsN fwR uppercase b01 bsd|fwR uppercase bsd b01|content-inner||