Organismos internacionais apontam boas perspectivas agrícolas

Publicado em 17/07/2015 às 10h03

O relatório Perspectivas Agrícolas: Desafios para a Agricultura Brasileira 2015-2024, divulgado nesta quarta-feira (15/07) pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta boas expectativas para a produção agrícola do Brasil, embora a tendência de crescimento deva ser menor que nos anos recentes. Além de representantes da FAO e da OCDE, participaram do lançamento o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, e o secretário nacional de Desenvolvimento Agropecuário, Caio Rocha, representando a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu.

O relatório é parte de documento lançado anualmente sobre as perspectivas agrícolas no mundo. Este ano, com um capítulo inteiramente dedicado ao Brasil, que estima os desafios a serem enfrentados pelo setor na próxima década. Inicialmente foi exibido um vídeo no qual o diretor-geral da FAO, José Graziano, ressalta a importância do estudo, tanto para o fortalecimento do papel do Brasil como um dos principais produtores do mundo quanto para o trabalho de erradicação da fome e da miséria.

O ministro Patrus Ananias salientou, na ocasião, a importância de se valorizar a agroecologia e a produção de alimentos saudáveis, que colaborem com a saúde das pessoas. Ele relembrou que no ano passado a FAO retirou o país do mapa da fome, reconhecendo esforços e conquistas do Brasil na luta pelo combate à desnutrição e subalimentação. Ressaltou, ainda, a importância do aumento de 20% dos recursos no Plano Safra 2015/2016 da agricultura familiar, em relação à safra passada. Enquanto isso, Caio Rocha destacou a responsabilidade que o Brasil tem por ser um grande abastecedor de alimentos do mundo.

O representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, e os pesquisadores responsáveis pelo relatório Holger Matthey, da FAO, e Jonathan Brooks, da OCDE, fizeram exposições, apresentando os pontos principais do relatório. De acordo com o documento, em 2013, as exportações da agricultura e das indústrias agroalimentares brasileiras foram responsáveis por 36% do total das exportações, fortalecendo o papel do setor como arrecadador de moeda estrangeira. O Brasil é, hoje, o segundo maior exportador agrícola mundial e o maior fornecedor de açúcar, suco de laranja e café.

Jonathan Brooks, da OCDE, disse que em 2012 o setor agrícola empregava cerca de 13% da população brasileira. E, apesar de o Brasil estar relativamente urbanizado, com apenas 15% da população vivendo em áreas rurais, a incidência de pobreza nesses locais, onde a agricultura é a principal atividade, é mais do que o dobro da pobreza ns áreas urbanas. No entanto, o relatório aponta que um dos destaques da economia brasileira tem sido a redução da pobreza e da fome no país como um todo. O modelo adotado no país, ao melhorar o acesso aos alimentos e aumentar a produtividade, ajudou na inclusão de populações vulneráveis, acrescentou.

 

Perspectivas positivas 

 

Segundo Holger Matthey, da FAO, as perspectivas da agricultura brasileira permanecem positivas, apesar da tendência de crescimento mais lento, tanto nacional quanto internacionalmente, e do declínio dos preços reais para a maioria das mercadorias agrícolas no cenário mundial. Os produtores, no entanto, esperam se beneficiar do aumento da produtividade e da desvalorização do real. As projeções atuais indicam que não haverá mudanças significativas nos ambientes políticos e agrícolas nos próximos anos.

Em relação à soja, o produto agrícola mais importante do Brasil na cesta de exportações, o relatório FAO/OCDE ressalva que devemos continuar sendo o segundo maior produtor do grão, atrás apenas dos Estados Unidos, e acredita que a soja deve continuar sendo o produto de exportação mais lucrativo, com mais da metade da produção interna destinada aos mercados mundiais. De acordo com o documento, as exportações brasileiras de soja deverão superar R$ 87 bilhões em 2024, sendo a China nosso maior cliente.

Por sinal, as exportações brasileiras para a China cresceram desde o ano 2000, especialmente nos últimos cinco anos. Oleaginosas, óleo vegetal, algodão, açúcar e aves são os principais produtos. Em 2014, cerca de 71% das exportações de oleaginosas – 35% da produção total do Brasil – foram para o país asiático.

Como as exportações agrícolas do Brasil são afetadas pelo desempenho econômico da China, o documento apresenta dois cenários para 2024. Caso o país tenha maior crescimento econômico, suas importações aumentarão os preços mundiais, o que fará com que a produção nacional e os preços aumentem, com redução do consumo interno. Este quadro seria positivo para o Brasil. No entanto, se o crescimento chinês for abaixo dessa projeção, não apenas as exportações de oleaginosas para a China diminuirão, como também as exportações brasileiras para outros países.

 

Fonte: Agência Brasil

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