Paraná colhe mais de 38 mi ton, maior volume da história

Publicado em 03/11/2015 às 14h05

A safra paranaense 2014/15 deverá chegar a 38,24 milhões de toneladas, o maior volume da história, segundo estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, divulgada nesta sexta-feira (30/10). Conforme o relatório, o volume poderia ser maior, não fosse o efeito das chuvas sobre as lavouras de trigo, que está em fase final de colheita e apresenta quebra de produção e problemas de qualidade dos grãos. 

O relatório do Deral relativo ao mês de outubro revela que o plantio da soja da safra 2015/2016 está acelerado e ocorre em clima normal, assim como os demais grãos plantados neste período, como milho de primeira safra e feijão das águas. Segundo os técnicos, as chuvas estão até contribuindo com o desenvolvimento vegetativo das novas culturas.

Para o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, apesar do clima mais chuvoso, os produtores paranaenses colheram uma excelente produção na safra 2014/2015, com destaque para a boa qualidade, que é uma das características da produção paranaense de grãos. “Esse desempenho se repetiu com a produção de cereais de inverno, quando o trigo é o nosso principal produto”, destacou Ortigara. “Observamos, ainda, que o plantio da nova safra 2015/2016, ocorre dentro da normalidade. Se as chuvas prejudicaram o trigo, estão contribuindo com o desenvolvimento vegetativo dos grãos de verão”, afirmou. 

A safra apresenta resultado positivo também no que se refere à comercialização. “Ocorreu redução nos preços das principais commodities, mas o quadro foi compensado com a desvalorização do Real frente ao dólar, favorecendo as exportações”, afirma o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni. “Aproveitando essa oportunidade, os produtores venderam o restante da safra 14/15 e anteciparam as vendas da safra que está sendo plantada”, explica.

Segundo Simioni, no decorrer deste novo ano safra, que encerra em junho de 2016, os produtores rurais devem ficar muito atentos ao mercado devido às variações constantes do câmbio. Para ele, não é possível afirmar com segurança o que vai acontecer até o final do ano ou início de 2016. 

“Pode ser que a desvalorização do Real se acentue ou, ao contrário, reduza. Assim, recomendamos aos produtores aproveitarem as oscilações de alta do dólar e realizarem suas vendas”, disse. Ele alerta, ainda, que não é momento de correr riscos e apostar em grandes elevações de preços para as commodities, considerando a volatilidade do câmbio.

O plantio da soja da safra 2015/16 está acelerado, com dois terços da área prevista (de 5,24 milhões de hectares) já cultivados - é a maior área plantada com o grão no Estado. Esse avanço representa 12% acima do que estava plantado em igual período do ano passado. Segundo o Deral, nesse período do ano, na média nas últimas três safras, haviam sido plantados 54% da área prevista, enquanto que neste ano, 66% já estão plantados.

A expectativa de produção é boa e aponta para um volume de 18 milhões de toneladas, também o maior do Estado. A estimativa segue as tendências para a produção de soja no País, que indicam para uma produção de 101 milhões de toneladas.

Para o economista do Deral, Marcelo Garrido, o clima está colaborando com a lavoura e, se não houver complicações mais graves, como incidência de doenças fúngicas, o Paraná vai colher, novamente, uma excelente safra de soja.

Os produtores estão animados, principalmente por causa do preço do grão no mercado, valorizado pelo dólar, frente ao Real. A saca de soja está sendo vendida, em média, por R$ 70,00, preço 27,5% acima de outubro do ano passado – que era de R$ 55,00 a saca.

A elevação nos preços fez com que o produtor antecipasse parte da comercialização. Cerca de 30% da safra que será colhida em 2016 já está vendida. Em 2014, nessa mesma época, as vendas antecipadas de soja eram de 6% e neste ano, cerca de 31%. 

Segundo Garrido, o produtor de soja no Paraná está capitalizado de safras anteriores e, daqui para a frente, a tendência é escalonar a venda da produção restante. “O produtor já vendeu um terço da safra com preço bom e agora deve dosar a comercialização, conforme as variáveis do mercado internacional”, disse.

O plantio de milho da primeira safra está chegando ao fim e deve ser encerrado na primeira semana de novembro. Segundo o Deral, está sendo plantada a menor área de milho nessa época do ano, com 437 mil hectares. Para se ter uma ideia, o Paraná já chegou a plantar 2,6 milhões de hectares com milho de primeira safra.

O clima está colaborando para o plantio e para o desenvolvimento inicial das lavouras e a estimativa de produção é de 3,8 milhões de toneladas, segundo o analista milho Edmar Gervásio, do Deral. O técnico ressalta que somente na região Sudoeste, que sofreu mais os efeitos dos vendavais e chuvas de granizo recentemente, as lavouras de milho estão numa situação ruim, diferente das demais regiões do Estado.

Segundo Gervásio, esta primeira safra de milho produzida no Paraná é destinada a abastecer a comercialização regional, especificamente as cadeias produtivas da avicultura e suinocultura. Em função disso, os preços do grão também estão animando os produtores. Eles estão oscilando entre R$ 23,00 e R$ 24,00 a saca, valor 29% mais alto que em igual período do ano passado.

O analista lembra, porém, que a expectativa do mercado é pressionar esses preços para baixo, com a intensificação da colheita de milho nos Estados Unidos, que neste ano deve colher uma supersafra de 345 milhões de toneladas.

Com as duas safras de milho plantadas no Estado anualmente, o Paraná colhe acima de 15 milhões de toneladas de milho, o que lhe permite manter as exportações do grão em torno de três milhões de toneladas, a mesma do ano passado. 

O plantio da primeira safra de feijão também segue em ritmo normal, com 84% da área prevista (de 183.583 hectares) ocupados. Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador, apesar da redução de área de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, a estimativa de produção cresce outros 5%, devendo passar de 324.545 toneladas colhidas na safra passada para 339.489 toneladas na safra 15/16.

O técnico explica que a colheita de feijão da primeira safra inicia já no final de novembro e preocupa um pouco o excesso de umidade, decorrente das chuvas, que dificultam os tratos culturais, podendo ocasionar infestação de doenças. “Isso é pontual, mas mexe no bolso do produtor porque aumenta custo”, disse o técnico. “No entanto, a situação das lavouras de feijão no Paraná está longe do quadro dos demais estados do Sul, que enfrentam fortes chuvas e inundações”, disse ele. 

O preço do feijão está bom, em média de R$ 120,78 a saca do feijão de cor e R$ 101,10 a saca do feijão preto. Os valores estão acima dos novos preços mínimos do feijão, que passam a vigorar em todo o País a partir de 1º de novembro, que é de R$ 78,00 a saca (cor), uma queda de 17,89% em relação ao que estava em vigor até esta data, e de R$ 87,00 a saca (preto), valor 17,14% inferior ao que estava em vigor que era R$ 105,00 a saca.

O recálculo dos preços mínimos para o feijão reflete o ajuste do governo à realidade de mercado, que está com mais equilíbrio entre a oferta e a procura. “Foi realizado um realinhamento nos preços mínimos do feijão, adequado-os aos custos de produção”, explicou o diretor do Deral, Francisco Simioni.

A produção de mandioca no Paraná mostra uma reação de mercado, após um longo período de queda nos preços da raiz. A reação motivou reação dos produtores na região Noroeste do Estado. No mês passado, a raiz da mandioca era vendida, em média, por R$ 141,00 a tonelada e neste mês está sendo vendida por R$ 150,00 a tonelada - aumento de 6,4%. 

Por causa da queda nos preços verificados até há pouco tempo, a produção da raiz no Estado caiu de 4,25 milhões de toneladas na safra passada para 3,74 milhões de toneladas na safra 2015/16. Segundo o economista do Deral, Methódio Groxco, a reação nos preços ocorre em decorrência do enxugamento do excedente de oferta do produto no mercado, com a intervenção de compra promovida pelo governo federal por meio de Aquisições diretas do Governo Federal (AGF).

Além disso, os estoques de produtos no mercado atacadista estão sendo repostos e, devido ao período de entressafra, há redução da oferta de raiz disponível para as indústrias. “Por outro lado, o clima no Nordeste está dando sinais de que a região vai importar novamente farinha do Paraná, o que não aconteceu nos últimos anos, situações que estão reconfigurando o mercado para a mandioca que começa dar sinais de que vai sair de um período de crise”, disse o técnico. 

O Deral já está prevendo uma quebra de produção de 12% na produção de trigo de 2015, em decorrência das chuvas recentes que prejudicam a qualidade do grão na colheita, e das chuvas de de julho, que afetaram o florescimento, estágio mais crítico da cultura.

A previsão inicial era colher 4 milhões de toneladas no Paraná. Com a quebra, a safra foi reavaliada para 3,5 milhões de toneladas, ainda uma boa safra, disse o técnico Carlos Hugo Godinho.

Apesar disso, o produtor está animado com a comercialização do trigo, que está valorizado por causa do dólar, mais elevado. O preço é de R$ 37,00 a saca, valor que está surpreendendo o produtor, porque o período é de colheita e, portanto, de elevação da oferta do produto no mercado, ressaltou Godinho.

Aproveitando esse período melhor, cerca de 32% da safra de trigo prevista no Paraná, já está vendida. 

 

Fonte: Agência de Notícias do Paraná

Categoria: Agronegócio, Comércio Exterior, Norte do Paraná, Paraná

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