Paraná é líder na geração de energia desde 2012

Publicado em 22/10/2014 às 10h07

Em meio à estiagem no Sudeste do País, o Paraná completou 21 meses como maior produtor de energia elétrica do Brasil em setembro, com 9.133 megawatts médios (MW/med). São Paulo, estado que até dezembro de 2012 era o principal gerador nacional, caiu para a terceira colocação, com 6.051 MW/med no mês, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). 

Há 21 meses, São Paulo liderava com 8.685 MW/med, seguido por Paraná (8.536 MW/med), Minas Gerais (8.402 MW/med) e Rio (5.579 MW/med). No mês passado, além da queda da geração paulista para 6.051 MW/med, a mineira também teve retração para 4.932 MW/med.

A produção hidrelétrica paulista foi reduzida nos últimos meses para evitar um possível racionamento de energia e de água, devido à seca que diminuiu drasticamente o nível dos reservatórios, de acordo com a ONS. No entanto, mesmo com a necessidade de maior intercâmbio de energia do Sul para o Sudeste e o Centro-Oeste nos últimos meses, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) informa, por meio de assessoria, que não há risco aparente de apagão ou de racionamento. 

Como o sistema é interligado e monitorado pela ONS, é comum a transferência de eletricidade de uma região para a outra. Tanto que o Sul teve parte do abastecimento feito por Sudeste e Centro-Oeste em janeiro e fevereiro deste ano. Na ocasião, a assessoria da Copel aponta que havia alta demanda no que não foi suprida pela geração própria, além da necessidade de poupar os reservatórios locais. 

Outra possibilidade para elevar a produção são as termelétricas. Tanto que o Rio de Janeiro alcançou a segunda colocação em setembro na geração, com 6.125 MW/med, dos quais 92,8% de energia térmica. A alta no estado foi de 15,6% sobre o mês anterior. 

O presidente da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e do Grupo Enercons, Ivo Pugnaloni, diz que mesmo que não exista risco de racionamento pela existência de um sistema único e interligado, há possibilidade de um "apagão tarifário". Ele critica a opção do governo federal de investir em grandes hidrelétricas no Norte, que demoram mais para ficarem prontas do que complexos menores. "O que pode acontecer é que o preço da energia, que subiu 24% no Paraná neste ano, pode ter outro reajuste igual no ano que vem se a seca continuar." 

Sem apagão

Em 2001, quando o País vivenciou a crise do apagão, havia falta de linhas de transmissão de energia do Sul para o Sudeste e Centro-Oeste. Hoje, conforme a Copel, o problema foi resolvido e a ONS pode regular melhor o fornecimento. Ainda, a assessoria da companhia aponta que é comum que o nível dos reservatórios estejam mais cheios em uma região enquanto outra sofre estiagem. No Sul, o nível está hoje acima de 90%. 

Pugnaloni lembra ainda que, em 2001, o Paraná não sofreu queda de energia pela falta de conexão com outros estados, e não porque é autossuficiente. "Não faz sentido falar em risco de racionamento em um estado só, como São Paulo. (O sistema) É como um condomínio e, se tiver falta, será em todas as regiões." 

Mesma receita


Apesar de representar 16,9% de toda a geração nacional em setembro e de poder despachar a energia excedente, o Paraná não recebe receita maior por isso. Os investimentos e os danos ambientais são regionais, mas a legislação brasileira considera que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da energia seja cobrado pelo estado consumidor. Para Pugnaloni, é preciso maior pressão dos estados produtores para mudar o quadro. "É preciso que ao menos exista equilíbrio na cobrança e não fique somente na ponta do consumo", diz. 

 

 

Fonte: Folhaweb

Categoria: Cenário Macroeconômico, Energia
Tags: Energia, macroeconomia

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