Paraná pode aumentar produção de bicho-da-seda em até 50%

Publicado em 28/09/2015 às 16h57

Depois de perder espaço, a cultura do bicho-da-seda no Paraná se recupera, graças aos ganhos de rendimento e a retomada da demanda mundial de fio de seda. A maior parte da produção paranaense de casulos tem como destino a fabricação de fios crus que serão exportados para França, Italia e Japão.

A atividade emprega oito mil pessoas, é típica de pequenas propriedades e está concentrada na região Noroeste do Estado, onde está o Vale da Seda, que congrega 29 municípios.

Maior polo de sericicultura do Brasil e o maior do Ocidente, o Paraná tem potencial para aumentar a safra em até 50% nos próximos anos, prevê Oswaldo da Silva Pádua, técnico da Emater e gerente da Câmara Técnica da Seda no Paraná. “O fio de seda paranaense é considerado o melhor do mundo e o mercado internacional está superaquecido. Não se exporta mais porque não há produção suficiente de casulos para atender a demanda”, diz.

De acordo com Padua, o Estado pode ampliar em até mil toneladas a produção por safra. Na safra 2015/2016, o Paraná produziu 2.195 toneladas de casulos, 5% mais do que na anterior. O volume responde por 86% da produção nacional.

Apesar da queda na área de cultivo – que passou de 15 mil para 4 mil hectares em oito anos - , a produção dos casulos vem aumentando graças a avanços de produtividade, segundo Gianna Maria Cirio, engenheira agrônoma e analista do setor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Em todo Paraná, o rendimento por hectare foi de 556 quilos na safra 2015/2016, 12% mais do que na anterior.

O aumento se deve à combinação de pesquisa, investimento e tecnologias avançadas de produção. Novas máquinas reduziram o esforço dos produtores durante a colheita e a necessidade de mão de obra, um dos grandes gargalos do setor. A retirada dos casulos dos bosques nos barracões de criação, por exemplo, que no passado durava quatro horas, hoje leva 15 minutos.

Atualmente se produz mais em propriedades menores, segundo Ruy Seyji Yamaoka, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O modelo de propriedade padrão era de até sete hectares. “Hoje o tamanho da área dedicada, em média, é inferior a dois hectares, mas com uma produtividade alta graças à mecanização, à introdução de novas variedades e formas de plantio, com mudanças no espaçamento, nutrição e adubação das amoreiras”, diz. As amoreiras servem de alimento para os bichos-da-seda.

Além do apoio à pesquisa e assistência técnica, o Governo do Paraná incentiva a modernização da atividade por meio de programas como o Patrulha Sericícola, que há três anos repassa máquinas e equipamentos para associações de produtores.

Com recursos de R$ 2,2 milhões, o programa atendeu até agora 15 municípios e deve incluir mais cinco. Por meio de convênio com prefeituras e associações de produtores são distribuídos trator, carreta, roçadeira, corrente de ferro, distribuidor de calcário, subsolador e quatro máquinas de limpar casulos.

Em Nova Esperança, no Noroeste do Paraná, principal município produtor do Estado, os sericicultores aumentaram em 25% a produção na safra atual, que chegou a 425 toneladas. Atualmente, as amoreiras ocupam 600 hectares e envolvem a mão de obra de 900 pessoas. A produção garante boa remuneração ao produtor, com ganhos de até R$ 15 mil por hectare, de acordo com Oswaldo da Silva Pádua, da Emater e da Câmara Técnica da Seda.

“A sericicultura é importante porque contribui para a diversificação da atividade na propriedade e para fixar a mão de obra no campo. Além disso, como envolve principalmente agricultores familiares, essa renda ajuda a movimentar a economia dos pequenos municípios”, afirma.

O produtor Ailton Alanis, de 48 anos, atua no ramo desde os 11 anos e hoje, além da produção do bicho da seda, produz mandioca, soja e milho em Barão de Lucena, distrito de Nova Esperança. Juntamente com a esposa, o irmão e a cunhada, mantém três barracões de casulos, que renderam, na última safra, 11 caixas. “Só não ampliamos mais a área porque não temos mão de obra para trabalhar” diz ele, que convenceu o filho Eduardo, de 20 anos, a começar na atividade.

A produção tem como destino a Bratac, de Londrina, única fiação de seda em operação no País, voltada para exportações para Europa e Ásia. Lá, o fio é trabalhado em confecções para marcas como Hermès, Gucci e Armani.

O mercado mundial de seda voltou a ser um bom negócio e os preços praticamente dobraram desde 2008. Os preços dobraram, graças à redução da oferta da China – maior produtor mundial, que passou a industrializar sua produção no mercado interno. O quilo do fio, que era cotado a US$ 28 na época, hoje está em US$ 60.

O Brasil já chegou a ter 17 fiações de seda no passado, mas com a retração da demanda internacional, as fábricas foram aos poucos desativadas. Foi o caso da fiação da Cocamar e da Fujimura no Paraná.

 

Universidade de Maringá é Centro Nacional de Pesquisa no setor

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) mantém um laboratório de melhoramento genético que hoje é referência no desenvolvimento de pesquisas na área de bicho da seda no Brasil. O bicho-da-seda é a larva da mariposa Bombyx mori, cujo ciclo de vida é interrompido antes da formação da mariposa – no estágio de pupa, logo após formar o casulo, para preservar o fio intacto.

Com um banco de 35 germoplasmas, a UEM desenvolveu híbrido rústico mais adaptado às fiações artesanais. Além disso, estuda a sintetização de corantes para colorir a seda – em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul - e a produção de fármacos para o controle de pragas nas amoreiras, como o amarelidão.

Análises moleculares do inseto desenvolvidas pela universidade também estão sendo estudadas por um grupo de pesquisadores na Inglaterra. “Também temos estudos sobre os efeitos dos herbicidas aplicados em outras culturas em áreas próximas podem afetar a sericicultura”, diz a professora Maria Aparecida Fernandez, coordenadora do laboratório.

Criado em 2009, o Instituto Vale da Seda, que surgiu na incubadora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), estimula o aproveitamento da seda produzida na região Noroeste para a fabricação de roupas e tecidos.

O objetivo do Instituto é que o fio seja beneficiado aqui mesmo no Paraná, com a fabricação de lenços, roupas e até artigos de decoração, como mantas para sofás, almofadas e tapetes. É uma forma de transformar a cadeia de produção, substituindo a venda de matéria-prima, pelo produto acabado, de maior valor agregado.

“ A intenção é aproveitar o polo de vestuário da região, onde estão 2,3 mil empresas do setor, para desenvolver essa cadeia”, diz João Berdu Garcia Júnior, presidente do instituto. Atualmente apenas 5% do fio produzido aqui é beneficiado no Brasil. “Exportamos o fio e importamos a roupa de grife. É preciso criar novos elos dessa cadeia aqui no país”, completa.

Além de oficinas para capacitação de designers da seda junto a alunos das escolas de moda da região, estão sendo desenvolvidos novos produtos a partir da seda, como acessórios, itens de decoração e novos tecidos. O maior exemplo é o da renda Paraná, um tricô feito com seda que será usado em roupas que o estilista Reinaldo Lourenço deve apresentar na próxima edição do São Paulo Fashion Week.

 

Fonte: Agência de Notícias do Paraná

Categoria: Agronegócio, Indústria, Investimento, Norte do Paraná, Paraná

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