Política Estadual do Biogás e Biometano deve fortalecer cadeia

Publicado em 23/05/2018 às 10h26
O Paraná tem um potencial produtivo absurdo em diversos segmentos, sendo protagonista quando se trata de aves e suínos. Mas o olhar do agronegócio vai além: o volume de energia que pode ser produzido com resíduos agropecuários e dejetos de animais. O chamado biogás gera energia térmica, elétrica e veicular (biometano), além de diminuir consideravelmente os passivos ambientais em diversas atividades. Uma estratégia fundamental para a cadeia, ainda mais em tempos que a energia se torna tão onerosa e uma fatia considerável nos custos de produção. 
 
Trabalho que já vem se desenvolvendo há mais de uma década no Estado – principalmente em cooperativas e granjas do Oeste com a implantação de biodigestores – mas que agora ganha força com a lei da Política Estadual do Biogás e Biometano, assinada no último sábado (19), no Palácio do Iguaçu, pela governadora Cida Borghetti. Nesta segunda (21), na Secretaria do Planejamento, ocorreu uma audiência com entidades estaduais e nacionais ligadas ao setor com o intuito de discutir os próximos passos desse importante marco regulatório. 

A expectativa é que a implantação da lei, que já existe em outros Estados, possibilite que o biogás e biometano conquistem maior espaço no setor energético, tanto na energia elétrica - nas grandes gerações e gerações distribuídas - quanto no setor de biocombustíveis. Com isso, a projeção é de redução de custos, segurança jurídica nos investimentos em energia renovável, menor impacto ambiental, diversificação da matriz energética e criação de novos postos de trabalho. 
 
Gina Mardones


MARCOS LEGAIS 

O presidente da Associação Brasileira do Biogás e Biometano (Abiogás), Alessandro Gardemman, esteve nesta segunda em Curitiba para na audiência e relata que é imprescindível a criação de marcos legais estaduais e o Paraná acaba "estando na vanguarda do trabalho juntamente com São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina". "Uma parte da regulação federal já está feita, mas o biogás tem essa característica local, devido as questões ambientais estaduais e de incentivos. Em seis meses, o Estado fez a tarefa e pôs de pé um marco legal moderno e construído junto com a sociedade", salientou. 

Gardemann aproveitou para apresentar um número alarmante: o Paraná desperdiça atualmente aproximadamente oito milhões de metros cúbicos/dia de biometano. "Isso é capaz de substituir grande parte do consumo de combustíveis fósseis locais. O Estado é uma potência agroindustrial, tem muitos resíduos sólidos, o que gera um volume gigantesco de fontes complementares. Além dos resíduos do esgoto, o Oeste do Estado tem muita proteína animal, no Norte há cana-de-açúcar e proteína animal. De fato (essa lei) é o que faltava para fazer decolar o biogás no Estado. Grandes iniciativas do biogás nacional estão alocadas no Paraná", complementou. 

PROGRAMA DE FOMENTO 

Um estudo desenvolvido pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), com apoio da Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CIBiogás), demonstra que o potencial de biogás no Estado é de 321 mil gwh/ano, suficiente para abastecer quase 4,8 milhões de habitantes, com consumo médio de 217 kwWh/mês. Já segundo a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás), o setor sucroenergético tem potencial no País para produzir 39 bilhões de metros cúbicos de biogás/ano, o setor de animais, nove bilhões de metros cúbicos/ano e o de saneamento, quatro bilhões de metros cúbicos/ano. 

Rodrigo Regis de Almeida Galvão é diretor-presidente da CIBiogás, um centro com sede em Foz do Iguaçu formado por 22 instituições que desenvolvem e apoiam projetos relacionados às energias renováveis. A estrutura conta com um laboratório de biogás no Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e 11 unidades de produção de biogás no Brasil. Para Galvão, o próximo passo após aprovação da lei estadual é avançar nas questões ambientais, metas para geração a ser distribuída e alavancar projetos através do Fomento Paraná. "Agora as plantas ambientais [de biogás] são consideradas projetos de inovação e são agraciadas pelo programa de fomento", explicou ele, que também esteve em Curitiba nesta segunda-feira. 

Outro ponto que anima Galvão é o fato de "estarmos num momento mundial em que a energia renovada ganha importância". "Temos que criar um todo um ambiente (adequado), com metas estabelecidas, não gerar o biogás pelo biogás, mas sim um desenvolvimento territorial. O biogás tem essa capacidade de transformar passivos ambientais em ativos energéticos." 

Ele também cita como essa política pode ser importante para o setor de grãos, já que 75% dos fertilizantes utilizados nas lavouras paranaenses são importados. "Do biogás também sai fertilizantes que chegam na lavoura com valor agregado." 

PASSIVO AMBIENTAL QUE GERA RENDA 

Além de todo o potencial energético e ganho econômico dos produtores, o olhar sobre os cuidados do meio ambiente não pode ser esquecido com a aprovação da Política Estadual do Biogás e Biometano. Para a assessora técnica da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carla Beck, essas ações ficam fortalecidas com a nova lei. "Os resíduos deixam de ser um impasse para o produtor e passam a ser algo que ele vai desenvolver de forma ambientalmente correta e também ter um valor agregado com isso." 

Ela explica ainda que além dos dejetos de aves e suínos, os bovinos também entraram na legislação ambiental recentemente, além dos resíduos vegetais. Tudo isso agora poderá ser controlado de forma mais eficiente com os produtores tendo maior acesso à estrutura de biodigestores, por exemplo. "É preciso um acesso a crédito diferenciado quando ele fizer esse tipo de melhoramento ambiental em sua propriedade." 

Por fim, a assessora técnica relata que a Faep encabeçou quatro viagens a três países (Alemanha, Áustria e Itália) no ano passado, levando mais de 140 pessoas, entre técnicos, lideranças sindicais e produtores para ver de perto cases de sucesso nesses locais que estão no topo da produção de bioenergia. "Visitamos várias propriedades rurais para verificar como eles estão trabalhando com essa situação. Diante disso, os produtores estão muito incentivados a ver como podem utilizar essa tecnologia nas propriedades deles."
 

Fonte: Folha de Londrina​

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