Região precisa investir em agroindústria

Publicado em 29/09/2014 às 09h38

Sob pena de se tornar apenas uma rota de passagem de matéria-prima ou de cargas industrializadas, o Norte do Paraná precisa agregar valor a sua produção agrícola para aproveitar as oportunidades logísticas futuras. 

Este foi o principal recado dado pelo coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo Tarso Vilela de Resende, durante o segundo EncontrosFolha, realizado na última quarta-feira, no Hotel Blue Tree, em Londrina. Resende integrou um grupo de trabalho que analisou as rotas das cargas no Brasil e fez projeções para o futuro. Ele acredita que a agroindústria tem tudo para ser o passaporte para o desenvolvimento da região. 

"Foram analisadas 600 variáveis macroeconômicas, desde o câmbio ao preço do diesel. Projetamos o fluxograma de demanda para 2020", contou. O Norte do Paraná é a região que concentrará o maior número de rotas. "A projeção deixa claro que o Norte do Paraná estará no olho do furacão das grandes demandas. Será o centro nervoso da logística das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País. A questão é: estamos preparados para aproveitar as oportunidades ou seremos uma ilha dentro de um País de oportunidades?", provocou. 

Atualmente, segundo Resende, 50% das cargas que circulam no Norte do Paraná por rodovias e ferrovias são de outras regiões, principalmente do Centro-Oeste, no caso dos granéis agrícolas. Para aproveitar a condição privilegiada, o professor defende a "adição de valor" aos produtos locais. O professor disse que, sem deixar de lado a tradição agrícola, a região precisa investir na agroindústria. "Defendemos que o Sul de São Paulo, o Paraná, Santa Catarina e o Norte do Rio Grande do Sul sejam um corredor logístico, onde o próprio agronegócio tenha adição de valor. O incentivo governamental será importante para isso", disse. 

Cenário nacional


Antes de abordar a logística regional, Paulo Resende, falou sobre o cenário nacional. E lembrou que, entre as 20 maiores economias mundiais, o Brasil está em último lugar no que diz respeito à infraestrutura de transporte. "Somos ricos e não conseguimos movimentar o que produzimos." 

Com isso, de acordo com o professor, todos perdem: do produtor ao consumidor. A ineficiência logística faz os produtos chegarem mais caros aos lares brasileiros. "Os consumidores do Norte e Nordeste pagam ainda mais. Cada vez que eles saem de casa para comprar um quilo de arroz, pagam 30% a mais que os do Sul e do Sudeste. Por isso, investir em infraestrutura não é apenas uma questão econômica, mas social", defendeu. 

Os altos custos logísticos, ressalta Resende, têm reflexo direto na produção industrial porque reduzem as margens de lucro. "Cada vez que uma indústria pensa em expandir a produção, ela pensa nos custos logísticos, que tornam seus produtos menos competitivos perante a concorrência externa". O produtor, de acordo com ele, é um elo frágil na cadeia. "O mercado não aceita aumento de preços do produto final. A indústria, por sua vez, espreme o produtor."

Ele disse que o Brasil vive um paradoxo no campo da infraestrutura e logística. E fez comparações com Estados Unidos e Europa. "Quando se tem aumento de demanda associada a crescentes taxas de investimento em ativos de infraestrutura, o custo logístico cai, e ganha-se muito dinheiro. É o caso dos Estados Unidos", disse. 

Do outro lado, ele lembrou a situação da Europa, que mantém altas taxas de investimento em infraestrutura, mas tem demanda estabilizada ou em queda em alguns países. "Com a ociosidade de portos e rodovias, e sem muita carga para carregar, o custo logístico aumenta." 

A situação do Brasil, com alta demanda, mas baixo investimento em infraestrutura, seria uma "nova jabuticaba". "Esse paradoxo só existe no Brasil. É uma invenção nossa. Se fôssemos uma empresa, teríamos quebrado por incompetência. Produz, mas não tem como entregar", declarou. 

De acordo com o professor, a média de investimento em infraestrutura dos países ricos e dos demais integrantes dos Brics é de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB). "A nossa é de apenas 0,6%", disse. 

Resende contou que a China está preparando um pacote de US$ 6 bilhões para investir em ferrovia no Centro-Oeste do Brasil em direção aos portos do Norte e Nordeste. "Nossos concorrentes parecem que estão dispostos a nos ensinar a lição de casa", brincou. De acordo com o professor, não é só para ganhar dinheiro que os chineses querem construir estrada de ferro no País, mas para garantir que continuarão recebendo a soja brasileira, fundamental para a economia deles.

 

Fonte: Folha de Londrina

Categoria: Agronegócio, Norte do Paraná
Tags: Agronegócio, Logística, Norte do Paraná

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