Sem reformas, país terá dificuldades para avançar

Publicado em 31/10/2014 às 10h36

O Brasil tem o 6º maior PIB mundial, mas ocupa apenas a 22ª posição entre os países exportadores – enquanto os 5 primeiros colocados têm a exportação como uma de suas principais estratégias para o bom resultado de seu Produto Interno Bruto. O indicador foi apresentado pelo vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Fabio Faria, durante sua palestra no II Seminário de Comércio Exterior e a Indústria, promovido pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

Durante todo o evento, especialistas e público discutiram as causas do baixo desempenho internacional do Brasil e também dialogaram sobre novas oportunidades e facilidades para os que buscam o comércio exterior.

Um dos destaques da programação foi o ex-ministro de Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. Em sua palestra, ele falou sobre alguns possíveis acordos comerciais com blocos econômicos, que favoreceriam a produção brasileira. Para o embaixador, os principais alvos do governo deveriam ser Estados Unidos e União Europeia. Lampreia é descrente quanto à possível reorganização e fortalecimento do Mercosul. “Hoje é apenas um área de livre comércio, com práticas protecionistas adotadas por todos os países”, apontou. O ex-ministro foi crítico quanto às políticas adotadas no atual governo. “Houve elevação de tarifa em mais de 100 produtos e, nesse período, o Brasil tornou-se um país protecionista e de difícil acordo nas negociações internacionais”, criticou.

Para Fabio Faria, há uma série de empecilhos que dificultam a entrada do produto brasileiro no comércio exterior, como alta tributação, legislação trabalhista ultrapassada, burocracia e infraestrutura. Todos os fatores, segundo ele, impactam na formação do preço do produto e desfavorecem os produtos manufaturados. “O Brasil é também o único país que exporta impostos junto com seus produtos. Esperamos que a alíquota do Reintegra volte aos 3% e se torne efetiva”, pediu o vice-presidente. “Hoje o Brasil é um exportador de pesos, de produtos de baixo valor agregado, e que utiliza quase que exclusivamente o modal marítimo (95% do total) para suas exportações”, pontuou Faria, criticando a falta de opções viáveis de transporte de produtos.

A mesma crítica foi feita pelo gerente de Logística da assessoria de comércio exterior Mastersul, Antonio Dib, que acompanhou o seminário. “O custo de logística no Brasil é muito alto e há uma ineficiência na infraestrutura. Vim ao evento para procurar entender o que o governo está fazendo para melhorar esses fluxos e acredito que o portal único de comércio exterior represente um avanço nas transações comerciais internacionais”, avaliou o empresário, referindo-se ao tema da palestra da diretora do departamento de Competitividade no Comércio Exterior e secretária de Comércio Exterior Substituta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDic), Ana Junqueira. Criado em abril deste ano, o portal é uma iniciativa de reformulação dos processos de importação, exportação e trânsito aduaneiro, com o objetivo de estabelecer processos mais eficientes e que integrem todos os atores públicos e privados relacionados ao comércio exterior. “Estamos buscando ferramentas para auxiliar a indústria. Mas é importante também que o setor industrial faça o que está acontecendo neste momento em Curitiba, neste seminário. Mobilizem-se. E pensem no comércio exterior como uma estratégia de negócio e não como uma experiência. Preparem-se para atender às exigências internacionais. É a partir desta troca entre governo e iniciativa privada que cresceremos no mercado internacional”, disse.

“Há uma desconfiança evidente no mercado externo quanto ao Brasil, que hoje é responsável por apenas 1,3% das exportações mundiais. Os processos são muito burocráticos e extensos – 12 dias para exportar e 16 dias para concluir um processo de importação”, lamentou Rommel Barion, coordenador do Conselho Temático de Negócios Internacionais da Fiep. “Acredito que, com o portal único de comércio exterior, o governo esteja dando um passo para diminuir a burocracia”, avaliou.

Para o gerente executivo de Comércio Exterior da CNI, Diego Bonomo, ir para o mercado internacional traz muitos ganhos mas não é uma tarefa fácil. Ele comparou a situação do Brasil à de uma pessoa doente. “O paciente está muito enfermo e não adianta remediar com aspirina. É preciso operá-lo. O governo precisa, com urgência, promover as reformas necessárias. A CNI tem dado sua contribuição e a mais recente é o nosso mapa estratégico da indústria. Das 42 propostas apresentadas ao governo federal, 7 são na área internacional. Estamos à disposição do governo, para construirmos essas novas oportunidades”, afirmou.

O industrial do setor madeireiro, Paulo Pupo, saiu do seminário com boas expectativas. “É um encontro de grande funcionalidade, dentro da Fiep. Tivemos hoje uma exposição clara de dois mundos – o real, com enormes dificuldades enfrentadas no dia a dia pelo industrial brasileiro, e as propostas de pequenos avanços apresentados pelo MDic. Estamos diante de grandes gargalos, com o custo Brasil, problemas de logística e os poucos acordos comerciais - apenas 3 vigentes, em um pais com o 6º maior PIB mundial. O cenário é preocupante e talvez o momento de mudança seja agora, com esta nova eleição, e com uma pressão maior por parte da CNI pela implementação de suas propostas.

 

Fonte: FIEP

Categoria: Cenário Macroeconômico
Tags: macroeconomia

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