VENCENDO A CRISE - 'Não vamos retrair agora'

Publicado em 02/06/2017 às 15h54

"Nossas perspectivas (de faturamento) se mantêm, fizemos um investimento ousado mesmo num momento de crise. Nos preparamos para isso e vamos manter esse planejamento". É dessa forma que a vice-presidente do Moinho Globo, Paloma Venturelli, define as projeções da empresa para 2017, independentemente do que está por vir. A empresa, localizada em Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina), projeta faturamento de R$ 250 milhões, o que representa crescimento de 25% frente aos R$ 200 milhões do ano passado. 

O ousado investimento citado por Paloma foi a inauguração de uma nova unidade industrial no primeiro quadrimestre, de aproximadamente R$ 100 milhões nos últimos anos, com capacidade de moagem de 180 mil toneladas/ano, atingindo um volume total de 315 mil toneladas/ano, mais que o dobro do que era produzido até então. "Viemos de uma crescente na indústria alimentícia nos últimos 5 a 6 anos. A nossa expectativa não é de retração agora", decreta. 

É claro que isso não significa que a empresa não sofra com alguns cenários. "Ano passado sentimos a crise, muito por conta de inadimplência do mercado, gerando queda de volume produzido e clientes atendidos. Mas mesmo assim mantivemos a rentabilidade". A vice-presidente também explica que a alta recente da moeda americana fez com que as vendas do trigo estagnassem no mercado e continuam desta forma. "A alta do dólar afetou o custo da matéria-prima e, portanto, o custo final, o preço da farinha de trigo para o consumidor final. Essas oscilações trazem maior cautela para nossa tomada de decisões". 

Espera 


As principais expectativas para a empresa, antes da delação da JBS, estavam no controle da inflação e queda na taxa de juros. Agora, segundo Paloma, o momento é de espera. "Estávamos otimistas para o segundo semestre, com a expectativa de queda na taxa de juros. Mas se isso não se concretizar, alguns investimentos de ordem estrutural serão postergados até que o cenário melhore. Todos ficam no stand by para saber os próximos passos, inclusive em relação às reformas que o governo tinha proposto a fazer". (V.L.) 

Investimentos postergados 


O professor de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Marcelo Curado salienta que este clima de incerteza e instabilidade atrapalha diretamente a indústria, pois devido à própria característica da atividade, os investimentos são focados em médio e longo prazos. "Num cenário como esse, muitos investimentos são postergados, até que a situação política e econômica se torne mais clara". 

Curado comenta que os níveis de investimento vêm caindo sistematicamente desde 2014 devido a essa insegurança. "Existe uma volatilidade do câmbio muito grande, e com as delações o dólar variou facilmente e atrapalhou as decisões de investimento, principalmente porque grande parte da produção industrial depende de insumos importados. Outro impacto é nos juros, que com essas incertezas tendem a ficar mais altos. Os bancos ficam receosos para emprestar capital e cobram mais caro". Por fim, para o economista, se as reformas trabalhistas e previdenciária continuassem caminhando mostrariam um comando do governo, uma sinalização de maior estabilidade política do País. "No momento, não importa qual a solução, mas que ela seja rápida". (V.L.)

 

Fonte: Folha de Londrina

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