Ambiente de empreendedorismo e inovação se fortalece em Maringá

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

A startup FarmGO é um dos casos de negócios que se desenvolvem dentro de um ambiente regional de empreendedorismo e inovação. Nasceu de um programa de apoio a empreendedores e está estabelecida dentro de uma aceleradora local, onde fez contato com os seus primeiros clientes, que são grandes empresas instaladas em Maringá. 

Ricardo Matiello, CEO da FarmGO: estar inserido em um ecossistema permite encontrar apoio para buscar soluções para gargalos tecnológicos ou conhecimento
Ricardo Matiello, CEO da FarmGO: estar inserido em um ecossistema permite encontrar apoio para buscar soluções para gargalos tecnológicos ou conhecimento | Divulgação

A FarmGO é uma empresa que entrega aos clientes inteligência a partir de dados agropecuários. A startup monitora diariamente dados de 31 mil propriedades rurais, o equivalente a 1 milhão de hectares. O monitoramento é realizado por meio de redes de satélites, dados climáticos, estações meteorológicas, etc.

O seu primeiro cliente foi uma seguradora que precisa avaliar e antecipar riscos na área de seguro agrícola, e nem precisou sair da cidade para isso. “Se você tem uma seca, automaticamente pode fazer cálculos de qual a probabilidade de sinistralidade”, explica Juan Hirigo, superintendente de Recursos Humanos e Gestão Estratégica, da Sancor. Para ele, a parceria com a FarmGO vai permitir ter previsibilidade dos negócios sem precisar direcionar esforços para algo que não faz parte do seu núcleo de atividades. 

A FarmGO nasceu dentro de um programa do Sebrae, que tem uma linha específica de atuação junto às startups. A essas empresas, a entidade oferece programas de fomento e capacitação, eventos técnicos e de sensibilização para esse público. 

“Temos para o ano que vem mais cinco ou seis programas de capacitação de startups promovido pelo Sebrae”, afirma Nickolas Kretzmann, gestor regional de Negócios de Alto Potencial do Sebrae/PR. Em breve, a entidade também deve inaugurar em Maringá um espaço de ideação para empreendedores que querem transformar suas ideias em negócios inovadores, o Sebraelab.

O Sebrae começou o seu trabalho junto às startups quatro anos atrás, com o mapeamento de ativos para a criação de um ecossistema de startups na região. A partir de então, realizou parcerias com universidades, aceleradoras e outras iniciativas para fortalecer esse ecossistema. Mas a cidade também possui uma comunidade de empreendedores unida, que organiza e realiza eventos como o Startup Weekend. 

GARAGEM DE IDEIAS

Nas universidades, a semente do empreendedorismo já foi plantada. A Unicesumar mantém no seu campus um programa de criação de startups em parceria com o Sebrae, chamada Startup Garage. O programa aceita inscrição de equipes formada por estudantes ou funcionários da universidade que têm uma ideia na cabeça e querem transformá-la em negócios.

Ao longo do ano, os participantes passam por workshops, encontros com empresários, mentorias, consultorias, etc. Ao final, eles têm a oportunidade de apresentar o seu projeto para uma banca avaliadora formada por potenciais investidores. 

“Chega de formar gente só para concursos, empregos. Queremos que os alunos também olhem para outras possibilidades”, diz Fabiana Cristina de Azevedo, gestora do programa Startup Garage na Unicesumar.

PONTO DE ENCONTRO E CONECTIVIDADE

Hoje, a FarmGO está na aceleradora e coworking Evoa, formada a partir da união de empresas e entidades de Maringá. Apesar da designação, a Evoa se tornou um ponto de encontro e conectividade do ecossistema de inovação de Maringá, onde empresas e investidores circulam em busca de soluções inovadoras e entidades realizam eventos, por exemplo.

A Evoa surgiu com o propósito de ser um espaço onde as empresas pudessem se juntar; é a primeira aceleradora sem fins lucrativos de Maringá
A Evoa surgiu com o propósito de ser um espaço onde as empresas pudessem se juntar; é a primeira aceleradora sem fins lucrativos de Maringá | Gustavo Carneiro

Matheus Lisboa Cesco, gerente executivo da Evoa, lembra que a aceleradora surgiu com o objetivo de ser um espaço onde empresas de Maringá pudessem se juntar. “Identificamos que aqui em Maringá as coisas aconteciam quando os empresários se juntavam.” 

Depois de analisar as lacunas que existiam no ecossistema de empreendedorismo e inovação de Maringá, os idealizadores da Evoa chegaram à conclusão de que o local deveria ser uma aceleradora. “A gente queria criar um hub, um espaço excelente para que as empresas cresçam e evoluam. Nesse momento, decidimos fazer uma aceleradora.”

O espaço, financiado por uma cooperativa de crédito, é a primeira aceleradora sem fins lucrativos de Maringá. “Nosso programa é totalmente gratuito, não pega equity, não viramos sócios das startups. Nosso propósito é realmente ajudar a diminuir a mortalidade das startups nos primeiros anos de vida”, comenta o gerente executivo da Evoa.

Integram o espaço startups que estão sendo aceleradas pelo programa da aceleradora, empresas que querem usar o coworking e/ou participar das atividades do hub. “Unicórnios ainda não temos, mas temos bons manga largas, empresas que estão faturando bem, gerando impostos para cidade, contratando. As 12 startups dos dois primeiros ciclos da Evoa faturaram juntas R$ 400 mil reais no mês passado (setembro) e geraram 100 empregos diretos”, diz Cesco. Das 20 startups que já passaram pelos ciclos de aceleração do Evoa, quatro já receberam investimento dos investidores que circulam pelo local. “

DINHEIRO INTELIGENTE

Maringá já conta com uma empresa de capital de risco, disposta a investir em startups. A Maringá Capital nasceu com o objetivo de completar essa lacuna do ecossistema de empreendedorismo e inovação da cidade. “Quando uma startup precisa de dinheiro para conquistar o mercado nacional, o investimento anjo supre a falta de recursos dentro do processo disruptivo de uma ideia”, explica Walcir Franzoni, diretor operacional da Maringá Capital. “Crescer não é fácil e, sem investimento, menos ainda”, ele completa. 

A empresa oferece aos negócios o chamado “dinheiro inteligente”, diz Franzoni. “Quando pega uma sociedade capaz de fazer investimento anjo e com capacidade multidisciplinar, a startup ganha porque isso faz com que ela ande mais rápido.” A empresa já investiu R$ 350 mil em uma empresa de geomarketing de Maringá.

ECOSSISTEMAS INTERLIGADOS

“O ecossistema de inovação e empreendedorismo de Maringá está amadurecendo a cada dia. Atores que não estavam engajados estão se engajando e entendendo o movimento e aqueles que já estão engajados desde o início já estão colhendo frutos”, salienta Nickolas Kretzmann, do Sebrae/PR.

Para Ricardo Matiello, CEO da FarmGO, estar inserido em um ecossistema permite encontrar apoio na busca de soluções para gargalos tecnológicos, ou de conhecimento sobre determinada assunto, por exemplo. 

Nessas situações, quando não encontra o que precisa no ecossistema local, vai atrás de outros. Exemplos de ecossistemas do agro são a Agro Valley, em Londrina, na EsalqTec, em Piracicaba (SP), ou na AgriHub, em Cuiabá (MT).  “Ecossistemas são bastante favoráveis, desde que estejam interligados”, diz Matiello.

Fonte: Folha de Londrina